Banco do Japão amplia linha de crédito, mas não elimina alta do iene

BOJ aprovou linha de mais 10 trilhões de ienes (US$ 118 bi) em empréstimos de seis meses para instituições financeiras, além dos 20 trilhões de ienes em empréstimos de três meses já apresentados anteriormente

Hélio Barboza, da Agência Estado,

30 de agosto de 2010 | 08h44

O Banco do Japão (BOJ, banco central) não conseguiu provocar queda definitiva do iene com uma flexibilização de emergência da política monetária nesta segunda-feira, o que aumenta a pressão sobre a direção da instituição para fazer mais atuações nos próximos dias a fim de interromper a alta da moeda e fortalecer a combalida economia. Por 8 votos a 1, o comitê de política monetária do BOJ aprovou o oferecimento de mais 10 trilhões de ienes (US$ 117,98 bilhões) em empréstimos de seis meses para as instituições financeiras, além dos 20 trilhões de ienes em empréstimos de três meses que já haviam sido oferecidos anteriormente.

O governo, que ameaçou intervir no câmbio com a venda de ienes, estava prestes a anunciar medidas de estímulo econômico, enquanto os políticos podem aumentar a pressão sobre o BOJ para afrouxar mais a política monetária na reunião do comitê marcada para a próxima semana.

"O banco acredita que a medida de flexibilização monetária, juntamente com os esforços do governo, serão efetivos em dar novas garantias à recuperação econômica do Japão", disse o BOJ. Mas o iene subiu diante da decisão, que ficou em linha com o que já era esperado. A moeda agora ameaça retomar sua subida para máximas de 15 anos.

O dólar chegou a cair para 84,90 ienes, dos cerca de 85,90 ienes em que estava antes do anúncio do BOJ, e depois avançou para 85,13 ienes às 4h55 (de Brasília). A moeda norte-americana havia recuado para 83,58 ienes na última terça-feira. Às 9h (de Brasília), o dólar caía para 84,56 ienes, de 85,35 ienes no fim do dia em Nova York na sexta-feira.

As autoridades temem que a apreciação do iene possa prejudicar a frágil recuperação econômica do Japão, tão dependente de exportações. O impacto econômico da decisão desta segunda-feira, que veio horas antes de uma reunião entre o presidente do BOJ, Masaaki Shirakawa, e o primeiro-ministro, Naoto Kan, será "perto de zero", disse o economista Richard Jerram, do Macquarie Bank. "É em grande parte uma charada", afirmou.

Kan

saudou a expansão da linha de crédito de emergência do BOJ e Shirakawa disse que o primeiro-ministro não lhe fez nenhum pedido específico. À tarde, os ministros da área econômica se reuniram e anunciaram um novo pacote de medidas de estímulo. As informações são da Dow Jones.

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