Banco reduz recomendação de compra das ações da Nossa Caixa

O banco de investimentos UBS reduziu a recomendação para as ações ordinárias (ON) do Banco Nossa Caixa de compra 2 para neutra 2 e o preço-alvo dos papéis de R$ 61 para R$ 40. A alteração, de acordo com o UBS, refletem o pagamento de R$ 2,1 bilhões pela prestação de serviços relacionados à folha de pagamento dos servidores do Estado de São Paulo, as tendências mais fracas verificadas no quarto trimestre e o ambiente competitivo mais acirrado. "Operando perto de R$ 36, as ações da Nossa Caixa têm um espaço muito limitado de valorização", afirmou em relatório o analista Bruno Pereira. As estimativas de resultados do UBS para a instituição financeira, no entanto, ainda não mudaram, mas o impacto do acordo está sendo avaliado. Segundo o analista, a revisão foi dividida em duas partes. A primeira avaliou o banco com as contas sem a obrigação de ter de pagar por elas. Na segunda, foi levado em consideração o impacto do contrato assinado com o governo de São Paulo ontem sobre o preço das ações. "O banco concordou em pagar R$ 2,1 bilhões pelas folhas de pagamentos de 1,1 milhão de servidores (com pagamentos mensais chegando a R$ 2 bilhões) por cinco anos, implicando R$ 1.895 por cliente. O pagamento será feito de uma vez, mas o banco vai reconhecê-lo como despesas durante o período de vigência do contrato", explica. O relatório destaca que o impacto das negociações é apenas um componente da história da Nossa Caixa por enquanto. "O novo governo do Estado de São Paulo tem adotado uma postura diferente com relação ao contrato, que vai totalmente contra o que o governo anterior decidiu. Como conseqüência, acreditamos que os investidores ficarão mais cautelosos quando olharem para as perspectivas para a Nossa Caixa a partir de agora e descontarão os riscos de maneira mais rigorosa", destaca o relatório. O analista acrescenta que, após o acordo, o banco provavelmente estará menos lucrativo, "já que ele estará pagando pelo direito de gerenciar as contas, incluindo aquelas que já possuía". Pereira ressalva, no entanto, que o contrato pode abrir uma porta para que a Nossa Caixa gere mais receita do que a que é incorporada no modelo de lucros atual do UBS, "se o banco aproveitar efetiva e eficazmente a oportunidade oferecida pelo aumento da base de clientes", afirma ele.

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