Banco sugere cautela na escolha de empresas de construção

Em meio a tantas opções no setor de construção, além de toda a euforia, os investidores devem ter cautela na escolha das empresas, analisar cuidadosamente a estratégia e a gestão de cada uma, além de avaliar os riscos. Essa é a indicação do analista Carlos Macedo, da Unibanco Corretora, que acaba de iniciar a cobertura do segmento - sem ainda recomendações específicas para cada companhia, mas com uma análise geral da área. Ele acredita que a agitação em torno do mercado imobiliário é justificada. Há uma demanda reprimida a ser atendida, a população brasileira é jovem e uma parte significativa atingirá a idade de comprar o próprio imóvel na próxima década e as condições para a expansão do crédito imobiliário estão concretizadas. Não é a toa que a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) já tem 14 empresas do setor, com a possibilidade de chegar a 20 até o final do ano. Para atender todo esse cenário positivo, as companhias estão captando recursos por meio da emissão de ações. "Tais quais os Beatles na canção 'Magical Mystery Tour', as empresas do setor de construção estão convidando cada vez mais investidores a embarcar em uma jornada fantástica", diz o analista no relatório. "Porém, todo céu de brigadeiro tem suas nuvens." Macedo aponta alguns riscos do segmento. O primeiro é que haverá uma sobreoferta no mercado de apartamentos de renda média alta em São Paulo daqui a dois ou três anos, quando todas as unidades lançadas serão entregues. Para ele, ocorrerá "um desequilíbrio na delicada equação entre compra e aluguel que verdadeiramente governa a demanda". Excesso de ofertas A entrada das novas moradias no mercado criará um excesso de oferta, o que provocará queda no valor dos aluguéis e nos preços por metro quadrado. "Grande parte dessa análise se relaciona com nossa visão de que os principais concorrentes das construtoras residenciais não são outras construtoras, e sim o mercado secundário de residências usadas e para locação." É exatamente no segmento de classe média alta de São Paulo que atua a maior parte das empresas listadas hoje. Como rota de fuga, o analista acredita que as companhias buscarão os mercados de baixa renda (o que já começa a acontecer) e de imóveis nobres. Para Macedo, é o segmento de baixa renda que oferecerá as melhores oportunidades de crescimento. " A demanda não tem limites, a terra é abundante e barata e a concorrência não é sofisticada. Ainda há obstáculos a superar, especialmente os relacionados ao financiamento para os compradores." Diante dos riscos, o posicionamento de cada companhia é fundamental para a obtenção de bons resultados. Mas, na avaliação do Unibanco, as construtoras têm uma posição um pouco fraca perante os clientes (que têm o mercado de locação à disposição) e os fornecedores (devido ao aumento no preço dos terrenos). Além disso, o banco não vê fortes barreiras à entrada de novos concorrentes. Por esses motivos, a instituição acredita que a estratégia selecionada pela empresa é tão importante quanto sua avaliação de mercado. "Sob alguns aspectos, é mais interessante escolher uma empresa sobreavaliada com a estratégia certa do que uma subavaliada com a estratégia errada", diz o analista.

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