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Banco Votorantim prepara abertura de capital

Segundo Gabriel Ferreira, novo presidente da instituição, mesmo com ida a mercado, nem a família Ermírio de Moraes nem o Banco do Brasil desejam sair do banco

Cynthia Decloedt, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2019 | 13h35

O Banco Votorantim começou os trabalhos preparatórios para a abertura de capital. Ainda não estão definidos, porém, formato, data ou tampouco foram escolhidos os bancos que conduzirão o processo ou a bolsa para a listagem, disse o novo presidente da instituição, Gabriel Ferreira, em conversa com jornalistas em São Paulo.

“De fato, chegou a hora de preparar o banco para a listagem em bolsa, conforme mandato que recebi dos acionistas”, disse. No entanto, Ferreira afirmou que não há desejo de saída de nenhum dos dois sócios, ou seja, o Banco do Brasil e a família Ermírio de Moraes. “Os sócios entendem ser este um passo importante no caminho de modernização que o banco está trilhando."

Os sócios acreditam, segundo ele, que a instituição ainda tem potencial de valorização por estar em fase de transformações, com uma estratégia de explorar a tecnologia e as parcerias com startups para oferecer serviços e produtos de modo mais abrangente para seus clientes.

Ferreira disse que provavelmente a oferta será feita com uma fatia minoritária. Quanto ao segmento de listagem, disse que o banco deve optar pelo Novo Mercado da B3.

No comando

Segundo ele, ainda, a troca no comando da instituição, na semana passada, foi planejada, com o objetivo de dar continuidade ao processo de modernização da instituição. Ferreira substituiu Élcio Jorge dos Santos, que ocupava o cargo havia três anos. 

"Acompanhei o Élcio desde 2012 (quando Ferreira entrou no Votorantim) e muito da agenda da nova economia vem da sua gestão", disse. Segundo ele, o resultado foi um balanço muito forte, a colocação do retorno em linha com os concorrentes, na ordem de 15%, e várias linhas crescendo em dois dígitos. “A nomeação de alguém da casa demonstra confiança dos acionistas”, disse.

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Ferreira afirmou ainda que, dentro da nova estratégia traçada, a vocação da instituição se mantém. Hoje, ela tem papel relevante no crédito a veículos. “O que muda é o jeito e a amplitude de alcance dos nossos produtos e serviços para os clientes”, disse. Ou seja, ajudar o cliente em vários modais, acrescentou.

Para ilustrar essa nova vertente, Ferreira disse que, por exemplo, ao invés de somente prover a linha de financiamento, o banco poderia ajudar o cliente a vender seu automóvel ou a concessionária a realizar a gestão de seu estoque.

Parceria com startups

Grande parte da virada que o Banco Votorantim está promovendo em sua operação é acompanha de investimentos que tem feito desde 2017 em startups que carregam sinergias com esse processo de modernização. Por meio de fundos - um deles do próprio banco - e parcerias, o Votorantim tem parcerias com 15 startups e investimentos em quatro dessas por meio de seu fundo de participações (FIP) de R$ 150 milhões.

"Temos crença de que o mercado financeiro está em plena fragmentação e existem bons empreendedores suportados por alta liquidez em tecnologia e que os novos modelos de serviço ao cliente vão ganhar relevância em relação ao tradicional", disse.

Segundo Ferreira, a estratégia futura do Banco Votorantim passa por diversificar negócios em um modelo de arquitetura aberta, entendendo que nem todas as melhores soluções e produtos nascerão dentro do banco, uma vez que a economia colaborativa avança em vários setores. Ele disse que seu mandato à frente do banco é justamente para acelerar essa jornada.

Esse processo foi iniciado em 2017, por meio do fundo BR Startups, em parceria com a Microsoft. O banco depois tornou-se parceiro em um dos fundos da gestora de venture capital Monashees, o que permitiu ao banco se conectar com banco digital Neon e Weel, plataformas de investimento e antecipação de recebíveis, respectivamente.

No caso do Neon, ele afirmou que o investimento faz parte do crescimento estratégico, uma vez que o Votorantim provê vários serviços, mas que essa não é a única estratégia na expansão de negócios digitais. "Ter um banco digital próprio é uma opção, que pode acontecer na linha do tempo", disse.

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