Bancos ampliam crédito prefixado após pacote do governo

Os bancos já aproveitam o pacote habitacional lançado pelo governo para aumentar a oferta de produtos de financiamento imobiliário. Várias instituições colocaram no mercado, nas duas últimas semanas, linhas de crédito com juros prefixados a partir de recursos da poupança. O Unibanco deve lançar hoje (dia 20) uma linha de taxa fixa para imóveis residenciais com valor de avaliação entre R$ 40 mil e R$ 350 mil. Os juros serão de 14% ao ano, e o prazo máximo do contrato, de 15 anos. O banco emprestará até 70% do valor do imóvel. ?É o nosso primeiro financiamento habitacional com parcelas fixas?, disse o diretor de Crédito Imobiliário do Unibanco, Gustavo Mota. Os concorrentes Bradesco, Santander Banespa e Itaú, por exemplo, já tinham lançado o crédito fixo para imóveis, concedido a partir de recursos próprios, antes de o governo permitir o uso da poupança. O Unibanco elevou as contratações de crédito imobiliário a uma média anual de 30% nos últimos cinco anos. ?Pretendemos manter esse crescimento, pois trata-se de um produto estratégico para o banco?, disse o executivo. A carteira atual da instituição no segmento tem saldo de R$ 1,6 bilhão. Para Mota, a nova linha atenderá o público que quer ?previsibilidade? para assumir um financiamento de prazo tão longo. Ele preferiu, porém, não fazer estimativas de contratação do novo produto. Apesar da previsibilidade, que é um fator positivo, os juros do País estão caindo e o mutuário pode evitar financiamentos com a taxa atual. ?É necessário observar o comportamento do cliente antes de fazer projeções?, disse. O Bradesco é outro banco que lançou financiamento prefixado com recursos da poupança, sem correção da Taxa Referencial (TR). O vice-presidente Norberto Barbeto acredita que os interessados em adquirir financiamento imobiliário deverão preferir a linha prefixada à tradicional, com juros de 12% ao ano mais correção variável pela TR. "O custo da prefixada é um pouco menor e o cliente ainda tem a segurança de que a prestação não vai mudar", afirmou. No novo produto do Bradesco, o cliente poderá optar por duas taxas: de 13,5% ao ano para os prazos de até 10 anos e de 14% ao ano para contratos entre 10 e 20 anos. A linha se destinará aos imóveis residenciais com valor de até R$ 350 mil. O total financiado pode chegar a até 80%. A Caixa Econômica Federal (CEF) também lançou nesta semana uma modalidade com taxa prefixada. Os juros variam de 11,9% a 14,5% ao ano, dependendo da forma de pagamento e do valor do imóvel. A presidente da instituição, Maria Fernanda Ramos Coelho, espera que a nova opção ajude a aumentar os empréstimos habitacionais da CEF para R$ 14 bilhões em 2006, um recorde, que representará expansão de 100% em relação a 2005. O banco quer emprestar R$ 1 bilhão por meio do novo produto neste ano. Para imóveis até R$ 130 mil, a taxa prefixada é de 12,9% ao ano, mas pode cair para 11,9% se o pagamento for consignado ou com débito em conta. Os juros fixos não passam de 14,5% no financiamento de imóveis com valor superior a R$ 350 mil - a taxa cai para 14% ao ano no caso de débito em conta ou consignação em folha. O prazo é de 15 anos e o valor máximo corresponde a 80% do preço do imóvel. O Santander Banespa reduziu a taxa do plano de financiamento imobiliário SuperCasa 20, com parcelas estáveis por 20 anos, de 16,95% para 14% ao ano. O corte foi decidido depois que o governo anunciou as fórmulas que os bancos poderão utilizar para definir os juros dos empréstimos habitacionais prefixados. A instituição foi a primeira a lançar as parcelas fixas, com o SuperCasa 10, em abril de 2005. Em março deste ano, dobrou o prazo para 20 anos. O plano financia imóveis a partir de R$ 40 mil. No pacote de incentivo à habitação lançado no mês passado, o governo autorizou os bancos a concederem financiamento imobiliário com juros prefixados a partir de recursos da poupança, o que é uma novidade no mercado brasileiro. Antes, os empréstimos só eram admitidos com juros pós-fixados - 12% ao ano mais a variação da TR. A nova modalidade de crédito para imóveis também terá taxa máxima, composta por 12% ao ano mais uma TR travada, que será divulgada pelo Banco Central no último dia útil de cada mês. Essa taxa refletirá a média da TR tradicional dos 90 dias anteriores. Para este mês, a TR travada foi definida em 2,2%. Assim, os financiamentos não poderão cobrar mais do que a soma de 2,2% com 12% ao ano, ou seja, o teto é de 14,2%. As linhas anunciadas pelos bancos até o momento estão abaixo do teto. A mais baixa é a da CEF, de 11,9% ao ano, para imóveis até R$ 130 mil e com pagamento consignado ou com débito em conta. Os juros máximos das operações estão em 14% ao ano. A intenção do governo é aumentar a demanda e, portanto, o volume de crédito imobiliário no País. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) considerou a criação do empréstimo prefixado a principal medida do pacote. Para o diretor de Crédito Imobiliário e Poupança da entidade, Natalino Gazonato, a possibilidade das instituições financeiras usarem os recursos da poupança barateará o custo do crédito ao tomador final. A Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) também esperava uma redução de juros, o que já está acontecendo. O presidente da entidade, Décio Tenerello, lembrou que os bancos estavam oferecendo taxas fixas a partir de funding próprio, cujo custo é o do CDI, ou seja, a taxa ficava em torno de 16% ao ano. ?Os recursos da poupança têm custo bem menor, de TR mais 6% ao ano, o que deve ser repassado aos tomadores do crédito imobiliário?, afirmou. A possibilidade de se conceder crédito consignado para imóveis também estava prevista no pacote do governo. Entretanto, até agora apenas a CEF criou esse produto, mesmo assim com restrições. Inicialmente a linha será apenas para servidores públicos. A instituição pretende ampliar para o setor privado. Para a Abecip, o empréstimo consignado não terá no setor imobiliário o mesmo efeito que teve no crédito pessoal, em que atingiu saldo de R$ 42 bilhões em dois anos. ?O impacto na área imobiliária será bem mais lento porque a redução do risco de inadimplência não será tão expressiva, a não ser para os funcionários públicos?, disse Tenerello. Segundo ele, as operações de crédito imobiliário têm volumes maiores e prazos mais longos que as de empréstimo pessoal. Assim, há mais risco de o trabalhador perder o emprego no decorrer do financiamento e ficar inadimplente. O risco é menor no caso de funcionários públicos, que têm estabilidade.

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