Bancos criam fundos com critérios sociais e ambientais

Os bancos têm investido em produtos e serviços identificados com medidas de responsabilidade social e ambiental. Cinco instituições financeiras já lançaram fundos de investimentos financeiros do tipo SRI (sigla em inglês para investimentos socialmente responsáveis). Esse tipo de fundo aplica os recursos dos clientes em empresas com boas práticas corporativas. O primeiro deles, o fundo Ethical, foi lançado pelo Real, controlado pelo holandês ABN Amro, em 2001. Em 2004, o Itaú lançou o fundo Excelência Social, que destina metade de sua taxa de administração a projetos sociais. O lançamento de um índice na Bolsa de Valores só com ações de empresas que têm boas práticas sócias e ambientais deu novo fôlego a esse mercado. O Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, tem 34 ações, de 28 empresas. O ISE acumula rentabilidade de 8,85% desde que foi lançado, ainda inferior ao desempenho geral do Ibovespa - 10,12%. Com a criação do índice, três bancos se animaram a lançar fundos de investimentos em ações de empresas que seguem boas práticas sociais e ambientais. No final do ano passado, o Banco do Brasil, Bradesco e HSBC criaram fundos que tentam seguir o desempenho do índice. Hoje, os cinco fundos que seguem essa linha têm um patrimônio de R$ 208 milhões. Os bancos apostam que devem crescer muito, até porque esses produtos ajudam a melhorar a imagem das instituições financeiras. O britânico HSBC tem apostado em produtos e serviços financeiros com a marca da responsabilidade social. Seu fundo Sustentabilidade Empresarial acumula rentabilidade ligeiramente superior à do Ibovespa, com 10,93% desde que foi criado. Segundo Fernando Meibak, presidente da HSBC Investments, é um bom resultado, em um País que investe pouco em ações e para um produto que trabalha com conceitos inovadores. ?As empresas com uma imagem de boas práticas estão menos suscetíveis a problemas, e os produtos financeiros já refletem essa visão.? O banco também tem adotado critérios de gerenciamento de risco social e ambiental na concessão de financiamentos. Na prática, o banco avalia se os recursos serão aplicados em projetos que podem ser danosos ao meio ambiente ou às comunidades. O HSBC identificou alguns segmentos com maior potencial de risco - produtos florestais, infra-estrutura de água doce e indústria química _ e só concede crédito a empresas que sinalizam ter práticas modernas de gestão. Outro exemplo é o projeto Ecofinanças, criado pela ONG Amigos da Terra em 2000 para disseminar o conceito de financiamentos sustentáveis para os bancos brasileiros. Na última segunda-feira, a iniciativa recebeu o apoio formal do governo britânico, que vai investir R$ 500 mil para reforçar o programa. Segundo Roberto Smeraldi, presidente da ONG, o desafio agora é que cada vez mais os bancos consolidem suas práticas socioambientais. A publicidade dos bancos reflete essa preocupação. Bradesco e Banco do Brasil usam conceitos de responsabilidade socioambiental em suas propagandas. A campanha do Banco do Brasil ressalta os financiamentos a pequenas empresas e à agricultura familiar. ?A publicidade vem sedimentar o trabalho do banco?, diz Paulo Roberto Caffarelli, diretor de Marketing do Banco do Brasil.

Agencia Estado,

14 de junho de 2006 | 08h52

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