Bancos terão perdas consideráveis com empréstimos, diz BCE

Baixas contábeis líquidas com empréstimos e títulos podem chegar a de € 90 bi em 2010 e de € 105 bi, em 2011

Gustavo Nicoletta, da Agência Estado,

31 de maio de 2010 | 14h32

Os bancos da zona do euro sofrerão perdas "consideráveis" com empréstimos neste ano e no próximo que devem provocar baixas contábeis de € 195 bilhões e pesar sobre a lucratividade dessas instituições, de acordo com o Banco Central Europeu (BCE).

A perspectiva de baixas contábeis no valor dos empréstimos aliada à "contínua pressão dos mercados e das autoridades de supervisão para que os bancos mantenham um controle rigoroso da alavancagem sugere que a lucratividade do setor bancário deve continuar moderada no médio prazo", avaliou o BCE em relatório semestral sobre a estabilidade financeira.

Segundo estimativas da autoridade monetária, os bancos da zona do euro podem sofrer baixas contábeis líquidas de € 90 bilhões com empréstimos e títulos em 2010 e de € 105 bilhões em 2011.

"Estamos passando no momento por uma segunda onda de baixas contábeis relacionada ao desempenho dos empréstimos", disse o vice-presidente do BCE, Lucas Papademos, durante uma entrevista coletiva. "Isso não é inesperado. As baixas contábeis com empréstimos vão diminuir, mas continuarão, refletindo simplesmente o desempenho geral da economia."

O BCE alertou ainda que as perdas com empréstimos em 2011 podem exceder as estimativas atuais. "Os riscos soberanos elevados e uma possível segunda rodada de efeitos decorrentes da consolidação fiscal necessária na maior parte dos países da zona do euro podem trazer riscos ao crescimento econômico", avaliou o banco central, acrescentando que, se houver uma concretização desse cenário, "as provisões contra perdas com empréstimos serão maiores".

O BCE reduziu a estimativa de baixas contábeis com empréstimos e títulos entre 2007 e 2010 para € 515 bilhões, de € 553 bilhões anteriormente.

"A resiliência geral do setor financeiro cresceu, levando em consideração que as reservas de capital foram fortalecidas. Mas, ao mesmo tempo, estamos conscientes dos desafios à frente, em particular no que diz respeito às finanças públicas", disse Papademos, que deixará a vice-presidência do BCE hoje. Vitor Constâncio, de Portugal, assumirá o posto na terça-feira.

Os maiores bancos da zona do euro terão de prolongar ou rolar cerca de metade de suas dívidas de longo prazo até o final de 2012. "Com diversos governos do bloco sofrendo pesadas necessidades de financiamento nos próximos anos, isso eleva o risco de as emissões de bônus bancários serem preteridas", alertou o BCE.

O déficit orçamentário agregado da zona do euro neste ano deve ser equivalente a 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB). As regras do bloco exigem que essa taxa seja de no máximo 3%. As informações são da Dow Jones.

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