Barclays inicia negociação para ficar com o ABN Amro

O grupo holandês ABN Amro e o banco inglês Barclays PLC confirmaram ontem que estão em conversação para uma possível fusão ou aquisição por parte da instituição britânica. ?Essas discussões são o resultado de um exame cuidadoso para criar uma parceria altamente complementar. As negociações estão no estágio inicial e exploratório e não há nenhuma certeza de que levarão a uma transação?, informou o ABN, em comunicado oficial ao mercado.Se concluído, o negócio daria origem ao quinto maior banco do mundo, atrás de Citigroup, Bank of America, do chinês ICBC e do britânico HSBC. Na Europa, o grupo seria o segundo maior, com um valor de mercado da ordem de US$ 160 bilhões. Juntos, o conglomerado somaria 47 milhões de clientes e 220 mil empregados em mais de 50 países.De acordo com jornais britânicos, o valor da negociação entre os dois grupos estaria em torno de 80 bilhões de libras, ou 117 bilhões de euros (US$ 156 bilhões). As notícias sobre o negócio movimentaram o mercado financeiro desde o início da manhã de ontem. As ações do ABN dispararam 9,7% enquanto as ações do Barclays caíram 0,8%. Em Nova York, os ADRs do banco holandês dispararam 14,13%, enquanto os do britânico caíram 0,28%.ReestruturaçãoAnalistas do setor acreditam que as conversas têm girado apenas em torno das linhas gerais do que seria o banco combinado e como as instituições convenceriam seus acionistas de que um acordo atende aos melhores interesses das duas partes. Já a decisão de participar de conversas indica uma nova direção do ABN, banco que está focado em um processo de reestruturação. O executivo-chefe do banco holandês, Rijkman Groenink, preparava-se para anunciar tais planos em abril. A combinação dos dois bancos significaria uma instituição com negócios-chave em quase todos os mercados globalmente importantes.A notícia das negociações também coincide com um momento em que Groenink tem sido fortemente pressionado a embarcar em uma fusão ou deixar a empresa. A temperatura aumentou no mês passado, quando vários hedge funds (fundos multimercado) passaram a pressionar o executivo-chefe, de 57 anos, a mudar de curso. Segundo o Financial Times, os interesses de negociação do ABN teriam sido estimulados pelos ataques feitos aos executivos pelos investidores do TCI (The Children?s Investments Fund), que tem 1% do capital do banco e quer uma cisão do grupo ou a sua venda para melhorar a rentabilidade aos acionistas, depois de quase sete anos de desempenho fraco. O Barclays, terceiro maior banco do Reino Unido, atrás apenas do HSBC e do Royal Bank of Scotland Group, enfrentará os questionamentos de seus investidores, especialmente porque as oportunidades de cortes de despesas devem ser limitadas e a redução de custos é algo que os investidores gostam de observar em aquisições caras e importantes.Uma aliança com o ABN daria ao Barclays a possibilidade de expansão em vários frontes, incluindo Ásia, Brasil, região do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo), EUA e Itália. Todas essas regiões oferecem ao Barclays a oportunidade de ampliar os negócios de mercados de capitais e de varejo. Mas a instituição também levaria a área de varejo do ABN na Holanda, que tem tido crescimento lento e altos custos. Com agências internacionais.

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