Barril de petróleo cai 2,08%, a US$ 68,75

Comnodity acompanhou o declínio das bolsas de valores de todo o mundo

Gustavo Nicoletta, da, Agência Estado

25 de maio de 2010 | 17h56

Os preços dos contratos futuros do petróleo fecharam o dia em baixa, acompanhando o declínio dos mercados de ações e pressionados por receios em relação à economia da Espanha. A apreciação do dólar também afastou alguns potenciais investidores do mercado, tornando a commodity (matéria-prima) mais cara para os detentores de outras moedas.

O contrato futuro de petróleo com vencimento em julho, negociado na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, na sigla em inglês), caiu US$ 2,08%, para US$ 68,75 por barril. Durante o dia, o contrato chegou a registrar a cotação máxima de US$ 69,91 o barril e mínima de US$ 67,15 o barril. Na plataforma ICE de Londres, o contrato futuro do petróleo tipo Brent com vencimento em julho caiu 2,27%, para US$ 69,55 o barril. Este é o menor preço da commodity desde 7 de outubro de 2009.

"Estamos sendo tragados pelos mercados de ações e por receios com a economia europeia", disse o operador e analista Tom Bentz, do BNP Paribas em Nova York. "Muitos mercados moveram-se além da realidade" nos últimos meses, em meio à expectativa de recuperação econômica. "Agora a preocupação com a Europa realmente tirou as coisas do trilho. Há realmente uma falta de confiança."

Embora estejam sendo ofuscados pela turbulência nos demais mercados financeiros, os fundamentos do mercado de petróleo não favorecem o avanço dos preços, visto que os estoques nos EUA - maior consumidor mundial da commodity - encontram-se em um nível historicamente elevado, atingindo recordes na cidade de Cushing, ponto de entrega dos barris negociados na Nymex.

O ministro de Petróleo do Kuwait afirmou que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não está preocupada com o declínio nos preços para abaixo da zona de conforto de US$ 70 a US$ 80 por barril anunciada pelo cartel. Ele também pediu aos membros do grupo maior adesão às cotas de produção.

Lawrence Eagles e sua equipe de analistas do JPMorgan alertaram que se o Kuwait, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes não reduzirem a produção de petróleo, até que os demais membros da Opep ajustem seus níveis de produção aos níveis previamente estipulados pelo cartel, haverá incerteza no mercado. Ele espera uma intervenção do grupo para evitar que o valor do barril chegue a US$ 60.

O Bank of America Merrill Lynch reduziu sua estimativa para o preço médio do petróleo no segundo semestre deste ano, de US$ 92 por barril para US$ 78 por barril. Ele citou como justificativas a crise de confiança nas dívidas soberanas europeias, a fraqueza do euro ante o dólar e a oferta levemente maior que a esperada da commodity por parte dos países produtores que não pertencem à Opep.

Na quarta-feira, o Departamento de Energia dos EUA (DOE) deve divulgar seu relatório semanal sobre os estoques norte-americanos de combustíveis. As informações são da Dow Jones.

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