BB tem nova linha para habitação

O já aquecido mercado de financiamento imobiliário às classes média e alta ganha mais gás a partir de hoje, com a chegada de produto do Banco do Brasil (BB) em parceria com a Poupex, associação de poupança e empréstimo criada pela Fundação Habitacional do Exército. Com a iniciativa - ofertada por enquanto aos 7 milhões de correntistas com renda acima de R$ 4 mil dos segmentos Exclusivo, Estilo e Private e aos funcionários -, o BB concretiza a primeira fase do seu projeto de crédito imobiliário. ?Vamos liberar até R$ 650 milhões este ano?, diz o gerente do Projeto de Crédito Imobiliário, Denilson Molina. A quantia vai crescer no segundo semestre, na segunda fase do projeto. A iniciativa do BB vem ao encontro de uma avaliação feita pelo presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Décio Tenerelo: ?Os bancos passaram a olhar o crédito imobiliário como negócio e não mais como obrigação?. O volume de financiamento do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo de R$ 4,85 bilhões em 2005 dobrou para R$ 9,49 bilhões em 2006. Neste ano, deve chegar a R$ 11 bilhões. Somados aos do FGTS, os recursos sobem para R$ 19 bilhões. ?O BB já era parceiro da Poupex na captação de poupança?, explica Molina. ?Fizemos um acordo pelo qual nos comprometemos a fazer um esforço para obter um incremento na captação da Poupex que vai voltar para o banco na forma de crédito imobiliário aos clientes.? Os depósitos em poupança do BB financiam o setor agrícola. A segunda fase será marcada pelo lançamento de um produto próprio do banco, que está sendo estruturado. ?Os demais clientes terão acesso ao crédito por meio desse produto.? O banco tem cerca de 22 milhões de clientes pessoas físicas e vai entrar na seara da Caixa, que reservou R$ 4 bilhões para empréstimos à classe média e alta este ano. ?Não há nenhum problema nisso; já competimos em outros produtos?, diz Molina. A entrada no crédito imobiliário era um desejo antigo, segundo o gerente. O banco percebeu que a fidelização do cliente é cada vez mais determinante no sucesso e que o crédito imobiliário é ideal para isso porque mantém o correntista ligado à instituição. ?Nossos clientes passaram a ser alvo de propostas de negócios de outros bancos e precisávamos reagir.? O BB oferece financiamento de até 15 anos pelo SFH e Carteira Hipotecária com juros de 10,49% e 12%, mais TR, respectivamente. Lei O ânimo no setor de crédito imobiliário vem crescendo desde 2005. ?Mudanças na lei deram mais confiança ao mutuário para contratar o financiamento, e ao banco para conceder o empréstimo?, diz o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Décio Tenerelo. Antes da Lei n.º 10.931, de agosto de 2004, quem comprava um imóvel na planta tinha dúvidas sobre a entrega, no caso de a construtora falir. Para tirar essa insegurança, a lei determinou que a construtora deve ter uma contabilidade separada por edifício e não pode utilizar os recursos captados com o pagamento de prestações de um empreendimento para erguer outro. Essa separação de contas impede que em caso de falência da construtora os compradores tenham de entrar na fila de credores. Do ponto de vista dos bancos, a lei trouxe uma nova opção de garantia, a alienação fiduciária, em lugar da hipoteca. Nesta, no caso de inadimplência, o banco leva de sete a oito anos para finalizar uma ação de execução de dívida. Na alienação fiduciária, esse prazo cai para cinco meses até um ano. Os bancos ganharam ainda mais segurança com a criação de um dispositivo que impede que o mutuário pare de pagar a totalidade de parcela quando vai à Justiça reclamar da taxa de juro. Hoje, ele terá de continuar pagando o principal, enquanto discute os juros. Além disso, fatores econômicos baratearam o custo final da construção, diz Tenerelo. Desde 2005, os juros vêm em queda e em 2006 houve medidas de isenção de ICMS para produtos da construção. ?Além disso, a procura por crédito cresceu porque houve aumento real dos salários de 4% em 2006.? Disputa pelo cliente Os bancos estão acelerando a aprovação de crédito, dando descontos em juros a quem é pontual, abonando uma prestação por ano ou até devolvendo parte do financiamento ao fim do prazo. A maioria reduz os juros normais de 12% mais TR para a faixa de 8% para imóvel de até R$ 120 mil. A aposta do Itaú é dar agilidade à concessão do crédito. Luiz Antonio Rodrigues, diretor de Crédito Imobiliário, diz que o banco aprova o crédito em 24 horas e, depois que o cliente escolhe o imóvel, assina o contrato em 15 dias. O Unibanco oferece o financiamento diretamente em imobiliárias. A Caixa Econômica Federal dá desconto nos juros a quem paga a parcela via débito automático, em vez de boleto. O Santander faz devolução de 20% do valor financiado para imóveis de R$ 120 mil a R$ 350 mil e prazo de 15 anos. Em troca, o cliente precisa aderir a uma cesta de produtos e ser pontual. Nos financiamentos prefixados, o cliente tem um mês por ano para não pagar a parcela. O SAC como sistema de amortização também agrada porque a parcela é decrescente. Isso, mais o fato de as condições da Caixa terem resultado em uma prestação próxima de um aluguel, animaram a advogada Carla Cristina da Silva a assumir um financiamento de R$ 42 mil. ?Hoje pago R$ 560, mas as projeções são de que no fim do contrato pagarei R$ 200.? Taxa prefixada Desde setembro, os bancos estão autorizados a oferecer financiamento com parcelas fixas, sem correção pela TR. Renato Ventura, superintendente de Negócios Imobiliários do Unibanco, diz que as pessoas ainda preferem o juro básico menor da opção com TR à previsibilidade que a parcela fixa proporciona. No Bradesco, a adesão é de 25% dos contratos. O Itaú nem sequer oferece a opção prefixada. Outros bancos ofertam, mas com prazo e porcentual de financiamento menor que na linha com TR. Para o SFH, o governo divulga a taxa limite - neste mês, 14,30%. O consultor de finanças Marcos Crivelaro estudou as modalidades prefixada e com TR e concluiu que as parcelas iniciais são parecidas. Por isso, vê vantagem na prefixada.

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