BC atua 2 vezes, mas dólar fecha com alta de 1,64%

Comentários de uma autoridade do BC dos EUA sobre os estímulos e a disputa entre comprados e vendidos para a formação da Ptax conduziram os ganhos do dólar

Fabrício de Castro,

28 de junho de 2013 | 17h11

SÃO PAULO - Num dia marcado pela forte pressão de alta sobre o dólar, o Banco Central (BC) atuou nesta sexta-feira duas vezes no mercado futuro, por meio de leilões de swap cambial. Ainda assim, a moeda dos Estados Unidos terminou o dia com elevação de 1,64% no balcão, cotado a R$ 2,2310, novamente na faixa de R$ 2,23. Comentários de uma autoridade do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) sobre os estímulos à economia do País e a disputa entre comprados e vendidos para a formação da Ptax no Brasil, neste último dia do mês, conduziram os ganhos do dólar ante o real.

Na cotação mínima do dia, verificada às 12h11, após os leilões do BC, a moeda atingiu R$ 2,2010 (+0,27%). Na máxima, às 15h23, com a Ptax do fim de junho definida, o dólar marcou R$ 2,2320 (+1,69%). A moeda operou em alta durante toda a sessão. Perto das 16h30 (horário de Brasília), a clearing de câmbio da BM&FBovespa registrava giro financeiro de US$ 3,498 bilhões - US$ 2,923 bilhões em D+2. No mercado futuro, o dólar para agosto era cotado a R$ 2,2455, em alta de 0,70%. Já o dólar pronto da BM&FBovespa fechou a R$ 2,21150(+1,51%) - apenas cinco negócios foram registrados.

As notícias globais na manhã desta sexta-feira trouxeram pressão de alta para o dólar ante as divisas com elevada correlação com commodities, como o real. Em discurso, o diretor do Fed Jeremy Stein, com direito a voto nas reuniões de política monetária, citou setembro como possível prazo para que a autoridade monetária analise um conjunto de dados para decidir sobre a possível redução das compras de bônus. Como ocorre nas últimas semanas, a fala de um dirigente do Fed no sentido de redução do programa de compra de bônus fez os investidores buscarem a segurança do dólar.

A alta do índice de sentimento do consumidor dos EUA, medido pela Reuters/Universidade de Michigan, contribuiu para o avanço da moeda norte-americana. O indicador passou de 82,7 na leitura preliminar de junho para 84,1 na leitura fim do mês. "O índice de confiança do consumidor teve um peso também (para a alta do dólar) porque, curiosamente, notícias boas sobre a economia americana reforçam a ideia de que o Fed pode reduzir seu programa de incentivos", afirmou o consultor de Pesquisas Econômicas do Banco de Tokyo-Mitsubishi UFJ Maurício Nakahodo.

No Brasil, a pressão de alta foi intensificada ainda pela disputa entre comprados e vendidos para a formação da Ptax que liquidará, na segunda-feira, 1, os contratos derivativos cambiais de julho. Enquanto os comprados operavam no sentido de impulsionar a moeda dos EUA, os vendidos tentavam contê-la.

Em meio a isso, o BC anunciou dois leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro), o primeiro das 10h35 às 10h45 e o segundo, das 11h25 às 11h35. As atuações do BC chamaram a atenção, uma vez que o banco não costuma atuar no dia da formação da Ptax de fim de mês para não favorecer nenhum dos lados da disputa no mercado futuro.

"Mas o mercado no Brasil estava descolado dos demais pela manhã, estava bem especulativo, então, o BC chamou os leilões", afirmou um profissional da mesa de câmbio de uma instituição financeira. Nos leilões, o BC vendeu o que foi ofertado, num total de US$ 3,977 bilhões (80 mil contratos). Os recursos injetados no mercado futuro serviram para conter a moeda dos EUA também no balcão, mas apenas até que a Ptax fosse definida, no início da tarde. No fim, a Ptax fechou a R$ 2,2156, em alta de 1,42% no dia e de 3,93% em julho. "Passada a Ptax, o dólar ficou mais livre para oscilar para cima", acrescentou. Com isso, a moeda norte-americana voltou a renovar máximas durante a tarde no balcão, para encerrar em alta de 1,64%.

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