BC atua 2 vezes, mas dólar tem maior nível desde abril de 2009

A moeda dos EUA fechou com avanço de 0,56%, a R$ 2,1480, patamar mais alto desde 30 de abril de 2009, quando havia encerrado em R$ 2,1880

Fabrício de Castro, da Agência Estado,

10 de junho de 2013 | 17h22

O dólar voltou a fechar em alta ante o real nesta segunda-feira, 10, a despeito das medidas mais recentes do governo para atrair capital externo e das atuações do Banco Central (BC). Pouco depois do meio-dia, a moeda norte-americana alcançou R$ 2,16 no mercado à vista de balcão, intensificando as preocupações com a inflação, o que fez o BC anunciar, em sequência, dois leilões de swap cambial (equivalente à venda de dólares no mercado futuro).

Com as operações, a autoridade monetária conseguiu segurar o avanço da moeda, mas apenas momentaneamente. No fim do dia, o dólar à vista fechou com elevação de 0,56%, cotado a R$ 2,1480. É o maior patamar desde 30 de abril de 2009, quando a moeda encerrou em R$ 2,1880. No ano, a divisa dos EUA acumula alta de 5,04% ante o real.

Na máxima, verificada às 12h04, o dólar atingiu alta de 1,12% e era cotado a R$ 2,1600 no balcão. Na mínima, após os dois leilões do BC, marcou R$ 2,1340, em leve queda de 0,09%. Perto das 16h30, a clearing de câmbio da BM&F registrava giro financeiro de US$ 1,446 bilhão. O dólar pronto da BM&F teve alta de 0,37%, para R$ 2,1460, com apenas 16 negócios. No mercado futuro, o dólar para julho era cotado a R$ 2,1550, em alta de 0,63%.

Pela manhã, o dólar apontava forte alta ante o real, após o anúncio da aceleração da inflação medida pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) na primeira prévia de junho (0,43%, ante 0,03% da primeira prévia de maio) e da divulgação de indicadores fracos de importação e exportação na China. As preocupações com a inflação e com a economia chinesa - forte compradora de commodities - reforçaram a percepção de que a economia brasileira vai mal. Profissionais lembraram que, na semana passada, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) já havia reduzido a perspectiva de rating do Brasil e de várias empresas do País.

Ao mesmo tempo, as medidas do governo - entre elas, a zeragem do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para investimentos de estrangeiros em renda fixa - ainda não elevaram a entrada de dólares no País. Ao contrário, profissionais citaram, na semana passada, que investidores em renda fixa estavam aproveitando a mudança para retirar recursos para, no futuro, voltar sem precisar pagar impostos.

"Potencialmente para o Brasil, a gente esperava que a redução do IOF gerasse um impacto maior (de entrada de dólares), porque você tem, aliado à isenção de imposto, a alta da Selic", comentou Fernando Bergallo, gerente de câmbio da TOV Corretora. "Mas parece que o investidor não está muito confiante, ainda mais que teve a redução da perspectiva de rating do Brasil."

João Paulo de Gracia Corrêa, gerente de câmbio da Correparti Corretora, acrescentou que "o BC mostrou que não quer um dólar acima de R$ 2,15, porque nós temos um problema sério, que é a inflação. Ele fez dois leilões hoje por conta disso, mas a desconfiança em relação ao País faz a alta do dólar persistir."

No exterior, a S&P revisou a perspectiva do rating AA+ dos EUA de negativa para estável. A notícia fez o dólar ganhar força ante outras divisas.

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