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BC, com seu perfil, deve cortar juro em 0,75pp, diz Chaia

Para professor do Ibmec-SP, inflação ainda não deu sinal de desaceleração forte no curto prazo

Patricia Lara, da Agência Estado,

21 de janeiro de 2009 | 16h15

O Banco Central, se seguir a tendência dos últimos anos, deve cortar a Selic em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano, na sua primeira reunião do ano, que termina hoje. Isso porque que a inflação não deu sinal de desaceleração forte no curto prazo. Essa é a visão do professor de derivativos e riscos do Ibmec São Paulo, Alexandre Jorge Chaia. "Mas se o BC olhar um pouco mais à frente, como a desaceleração do nível de investimentos e corte de emprego mais alto do que o esperado, junto com a recessão mundial e a volta da volatilidade, deve partir para um corte de 1 ponto porcentual", observou Chaia, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  Ouça a entrevista Para o Produto Interno Bruto do Brasil, o professor disse que estava com a expectativa de expansão da ordem de 2%, se houvesse uma estabilidade na volatilidade do mercado, como no câmbio. Mas agora, ele avalia que o País só terá condições de crescer entre 1% e 1,5% neste ano. "Com a incerteza sobre os bancos, o impacto nos minérios e as bolsas caindo, as empresas estão postergando seus investimentos para o final do ano." Chaia acredita que um corte de 2 pontos porcentuais da Selic no encontro do Copom hoje não seria totalmente impossível. "Mas tomar uma decisão dessas porque as centrais sindicais estão preocupadas com isso, aí sim seria uma atitude imprudente. Mas se o cenário que o BC está vendo é o de desaceleração muito forte com baixíssima perspectiva de retorno da inflação, aí sim", ponderou. "Mas um corte assim seria bastante agressivo. É mais fácil vermos cortes de 1pp hoje, 1 pp na próxima e 1pp na seguinte", afirmou Chaia, observando que as centrais sindicais olham um cenário de curto prazo, mais preocupadas com o emprego, e que o BC tem de olhar o cenário de longo prazo. Chaia destacou ainda que existe, no Brasil, uma confusão muito grande em relação ao emprego, expansão e o papel do Banco Central. "O papel do Banco Central é o de controle da inflação e de estabilidade à moeda. O governo central como um todo é que tem que estar preocupado com o crescimento", declarou. "O governo teria que estabilizar os gastos, reduzindo seus gastos para ter um superávit maior e investir em infraestrutura e deixar o País pronto para crescer no segundo trimestre", observou. "A renúncia fiscal vai gerar um problema de caixa de curto prazo no governo e os investidores sabem que o governo vai ter que elevar a alíquota dos impostos no futuro, para compensar esse efeito, e isso acaba não tendo efeito no aumento do consumo." Aracruz O acordo fechado pela Aracruz com bancos credores, que representam mais de 80% da dívida gerada a partir de operações com derivativos, para reestruturação do débito não encerra as apreensões sobre potenciais novas perdas a serem reveladas por empresas brasileiras expostas a esses instrumentos. Para o professor de derivativos e riscos, outras revelações relacionadas a perdas com derivativos devem ocorrer. "As grandes empresas com contratos muito grandes entraram em acordos para refinanciar dívidas. Não houve acordo de compensação do contrato ou quebra de contratos. Mas ainda há muitas empresas de capital fechado e empresas que ainda não divulgaram o resultado que serão afetadas nos próximos meses, por conta do efeito do dólar", comentou. "Mas esse efeito deve ser diluído pelas próprias vendas e exportações em 2009." "Mas não tem nenhuma empresa em situação de insolvência de curto prazo por causa disso (exposição em derivativos)", disse. Segundo a Aracruz, os bancos credores concordaram com o pagamento de US$ 2,13 bilhões, valor da dívida apurado em 03 de novembro e sujeito a ajustes em função de margens depositadas, variação cambial e aplicação de encargos contratuais, em prazo total de até nove anos, que pode cair a sete anos de acordo com o desempenho operacional da empresa. A crise está dada e, segundo Chaia, o foco principal do governo deveria ser o de preparar o País para o próximo salto do crescimento, com investimentos em infraestrutura. "Vamos sofrer no primeiro semestre. E o Brasil deveria aproveitar esse período e tentar se preparar para o próximo ciclo de crescimento que deve ocorrer no final deste ano", comentou Chaia, endossando a visão de que os governos não deveriam focar seus esforços para fomentar o crescimento e debelar a crise em setores como o automotivo. "Não tem essa de falar em emprestar dinheiro público para empresas que garantam emprego", disse. "Se as empresas tiverem que fazer esse tipo de coisa, vão acabar quebrando. É impossível evitar demissão se não há demanda para a produção", lembrou. "É ilusão do governo colocar alguma cláusula desse tipo." Ontem, os presidentes das centrais sindicais entregaram ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um manifesto de apoio ao ministro do Trabalho, Carlos Lupi, por ter exigido que as empresas que tiverem recebido empréstimos provenientes de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) tenham a obrigação de manter os empregos.

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