BC encerra programa de swap com maior prejuízo mensal em fevereiro

Banco Central encerra hoje programa de venda de dólares no mercado futuro; prejuízo em fevereiro foi de R$ 27,29 bi

CÉLIA FROUFE E ANNE WARTH, O Estado de S. Paulo

31 de março de 2015 | 13h56

Depois do lucro recorde em janeiro com as operações de swap, o Banco Central teve no mês passado o maior prejuízo mensal com o programa de "ração diária" que vem promovendo desde agosto de 2013 e que terminou nesta terça-feira, 31. As perdas com essas operações, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro, foram de R$ 27,3 bilhões em fevereiro ante ganhos de R$ 10,8 bilhões no mês anterior. A primeira vez que esse instrumento de intervenção no mercado de câmbio foi utilizado foi em 2002. 

Essas operações foram determinantes para que o gasto com juros do governo em fevereiro também fosse o maior para o mês desde dezembro de 2001, quando o BC iniciou a atual série histórica. De um mês para o outro, esses gastos subiram de R$ 18 bilhões para R$ 56 bilhões. Por sua vez, essas despesas prejudicaram o resultado geral das contas públicas do mês passado.

Mesmo assim, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, fez elogios ao programa. Segundo ele, a leitura do prejuízo com os swaps não pode ser isolada porque, para cada R$ 1,00 com gastos com essas operações provenientes da variação cambial, há um ganho de R$ 2,50 com a administração das reservas internacionais. "Isso é um benefício para o País", comentou. 

Desde o início, foram injetados o equivalente a US$ 115 bilhões no mercado para proteção dos agentes. Desde então, também, o prejuízo do BC simplesmente com essas operações é de R$ 33 bilhões. Pelos cálculos da instituição, a variação cambial do mês passado proporcionou um ganho de R$ 38 bilhões, já que a variação das reservas internacionais foi positiva em R$ 65 bilhões e as perdas com swap, de R$ 27 bilhões. 

"As operações de swap naturalmente não foram desenhadas para ter ganhos ou perdas", afirmou Maciel. "Dependendo do momento, há ganhos e perdas, isso oscila mas não é o ponto", continuou, acrescentando que as operações foram criadas para evitar também excesso de vaivém na cotação do dólar.

Contabilidade.
No último dia de oferta de "ração diária" pelo Banco Central, a instituição divulgou que obteve prejuízo de R$ 27,292 bilhões com essas operações em fevereiro. No mês anterior, o saldo ficou positivo de R$ 10,781 bilhões. Ao longo de 2014, o BC teve perdas de R$ 17,329 bilhões com a oferta de proteção ao mercado. No acumulado do primeiro bimestre de 2015, o prejuízo da instituição com essas operações está em R$ 16,511 bilhões.

Em 2013, o BC acabou registrando prejuízo com os leilões de swap da ordem de R$ 1,315 bilhão. Já em 2012, entrou para o caixa da autarquia R$ 1,098 bilhão. Na terça-feira passada, o BC informou que não renovaria mais o programa de swaps cambiais. De acordo com o BC, esses leilões e também os de linha (dólares com compromisso de recompra) já forneceram "volume relevante" de proteção cambial ao agentes econômicos. O programa teve início em 22 de agosto de 2013 e foi renovado duas vezes, sofrendo ajustes.

No início, a chamada "ração diária" injetava US$ 2 bilhões no mercado semanalmente. Hoje, o volume do programa está em US$ 500 milhões por semana. O BC informou também que os swaps cambiais que vencerão a partir de 1º de maio deste ano serão renovados integralmente. O BC levará em consideração a demanda pelo instrumento e as condições de mercado.

Já os leilões de linha continuarão a ser realizados de acordo com as condições de liquidez do mercado de câmbio. "Sempre que julgar necessário o Banco Central do Brasil poderá realizar operações adicionais por meio dos instrumentos cambiais ao seu alcance", explicou o BC.

Tudo o que sabemos sobre:
Câmbioswap cambialBC

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.