BC está atrasado na alta da Selic, diz Freitas

Ex-diretor da instituição afirma que três diretores que defenderam elevação neste mês estavam corretos

Nalu Fernandes e Patrícia Lara, da Agência Estado,

31 de março de 2010 | 18h06

O Banco Central está atrás da curva quanto ao aperto da taxa Selic, avalia o economista e ex-diretor do BC Carlos Eduardo de Freitas, referindo-se a um potencial atraso na decisão da instituição. "Os três diretores que desejavam ter feito o aumento da taxa de juros em março estavam absolutamente corretos no seu julgamento. Não havia mais o que esperar", afirmou em entrevista ao AE Broadcast ao Vivo, da Agência Estado.

 

No Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje, o Banco Central citou que havia sido estabelecido um cronograma de retirada dos estímulos monetários e que os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) que votaram por uma elevação imediata da Selic "defenderam que a implementação do cronograma original deveria ser antecipada".

 

Para Freitas, este entendimento dos três diretores, que votaram pela alta do juro em 0,50 ponto porcentual em março e para a antecipação do cronograma, é o ponto que mais chama a atenção no documento divulgado hoje. Ele cita que houve aumento pontual de preços no início do ano, mas acrescenta que, aparentemente, houve disseminação destes aumentos. Freitas observa que, no primeiro bimestre do ano, o IPCA anualizado ficou em 9,6%. Ainda que seja necessário considerar a sazonalidade no período, ele destaca que o número já ilustra o fato de que as pressões inflacionárias estão fortes.

 

Freitas, que passou duas vezes por diretorias do Banco Central - a primeira entre 1985 e 1988 na área externa e a segunda entre 1999 e 2003 na área de Liquidação e Desestatização -, alerta que é preciso ter cuidado para que a inflação não ultrapasse a banda superior da meta (6,5%). O executivo concorda que há o risco real de que a inflação possa romper o teto da meta, reitera que os dados de inflação mostram que há disseminação do processo da alta de preços e avalia que a economia está muito aquecida.

 

Por outro lado, o executivo acredita que tranquiliza ver, a partir do relatório de inflação, que os membros do BC estão "absolutamente conscientes dos riscos de uma aceleração inflacionária". "Não aumentou os juros em março, mas vai aumentar em abril", completa. Ele não descarta que o Copom possa iniciar o ciclo de aperto da Selic com uma alta de 0,75 ponto porcentual.

 

 

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