BC gostaria de já ter subido juro e pode fazê-lo em abril, diz Bresser

Para ex-ministro, apontar inflação como motivo para subir os juros é uma desculpa. "A inflação está pequena", disse

Luciana Xavier,

14 de março de 2008 | 16h28

Para o economista e ex-ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser-Pereira, é possível que a Selic, hoje em 11,25%, suba já na reunião de abril, como sinalizou a ata do Copom de março. Segundo ele, no entanto, não é o momento de o BC promover um aperto monetário.  - Ouça entrevista com Luiz Carlos Bresser-Pereira "A idéia de elevar os juros em um momento em que os países ricos estão baixando é ir contra a corrente, é ilógico. Mas só não baixaram ainda porque o presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva) deu sinais de que ficaria indignado. Senão teriam aumentado. Porque o raciocínio do Banco Central é estreito e não considera os interesses do Brasil", analisou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.  Para Bresser, apontar a inflação como motivo para subir os juros é uma desculpa. Na visão do economista, o foco real de um aperto estaria nos juros reais abaixo de 8%. "A inflação está pequena. Não vejo motivo para a inflação subir fortemente. A economia vai desaquecer, pois a crise lá fora é muito grande", alertou.  Câmbio - As medidas cambiais anunciadas recentemente pelo governo foram vistas com ceticismo por Bresser-Pereira. "Elas não vão resolver grande coisa", afirmou. Apesar disso, o ex-ministro disse ter sido "ótimo" o governo adotar a taxa de 1,5% de IOF sobre operações de renda fixa realizadas por investidores estrangeiros. "É o mínimo que se podia fazer. O País está sendo inundado por recursos externos, sem ter a necessidade deles. Não há razão para tanto capital externo", comentou.  Segundo Bresser, o controle de entrada de capital externo seria mais eficiente para deter a queda do dólar, tornando o câmbio mais competitivo e possibilitando um crescimento do País a taxas mais elevadas. "Mas na onda liberal atual, isso é inaceitável, faz parte das coisas proibidas", disse.  Além do controle de entrada de capital, que poderia levar o dólar mais perto de R$ 2,50, que para Bresser é um patamar de equilíbrio do câmbio, o ex-ministro defende também impostos sobre exportações de produtos relacionados à "doença holandesa", como ferro e açúcar. O termo refere-se à idéia de que a exportação de um produto em grande escala leva à valorização da moeda de um país e torna o setor manufatureiro menos competitivo.  Para Bresser, sem essas medidas por ele citadas, a moeda americana só poderá chegar ficar mais perto de R$ 2,50 em dois ou três anos, mas daí por causa de uma possível crise na balança de pagamentos. Por enquanto, Bresser acredita que o dólar ficará ao redor do patamar atual de R$ 1,70 e não vê uma queda muito abaixo disso.  Bresser disse ainda que as críticas da S&P às medidas cambiais não devem ser vistas como um sinal ruim diante da expectativa de um upgrade para grau de investimento. Segundo ele, mesmo sem essa nota, o Brasil já vem recebendo muitos investimentos. "Não vejo nenhuma importância no grau de investimento, mas se vier, ótimo", comentou. "O que devemos é buscar uma política fiscal mais dura e juros mais baixos", acrescentou.  EUA Para Bresser, os Estados Unidos já estão em recessão e que isso irá afetar o Brasil diretamente e também via China. Segundo ele, não é possível dizer se a recessão será profunda ou mais suave, nem sua duração. Mas acredita que terá impacto no mundo todo e que o rearranjo global das economias não virá "docemente". Para Bresser, porém, o Federal Reserve está fazendo tudo o que pode para amenizar esse quadro, com ações coordenadas com outros bancos centrais e sua agressiva política de afrouxamento monetário. "O Fed está agindo com coragem e firmeza, fazendo tudo o que pode para evitar uma recessão e que a crise se prolongue. Difícil é saber o quanto vai ter de sucesso", afirmou.

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