BC inglês eleva projeção de inflação, mas sinaliza calma com juro

Banco da Inglaterra avaliou que o crescimento econômico será lento, uma vez que o alto preço das commodities pressiona a renda dos consumidores e os cortes feitos no orçamento comprimem a atividade

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

16 de fevereiro de 2011 | 09h44

O Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) enviou um claro sinal ao mercado em seu relatório trimestral de inflação, de que não elevará o juro na velocidade calculada pelos investidores. A libra caiu na sequência, devolvendo os ganhos do dia anterior com o anúncio de forte alta da inflação de janeiro. Às 9h40 (de Brasília), a libra era negociada em US$ 1,6070, de US$ 1,6124 no fim do dia em Nova York ontem. A moeda cedia também contra o euro, que subia para 0,8430 libra, de 0,8415 libra antes da divulgação do relatório.

Em entrevista concedida junto à divulgação do relatório, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, endossou a impressão deixada pelo documento, dizendo que o banco não tem compromisso de elevar o juro na proporção embutida pelos investidores nos preços dos ativos. Ele acrescentou que o banco nunca antecipa futuros movimentos no juro. 

No relatório, o BoE elevou as projeções de inflação para 2011, mas acrescentou que o crescimento também será lento, uma vez que o elevado preço das commodities pressiona a renda das pessoas físicas e os cortes promovidos no orçamento do governo comprimem a atividade econômica.

"A inflação deve subir para entre 4% a 5% no curto prazo e permanecer bem acima da meta de 2% no próximo ano ou quase isso", disse o Comitê de Política Monetária no relatório. Mas "a contínua consolidação fiscal e o estreitamento do poder de compra das pessoas físicas devem funcionar como um freio", acrescentou o comitê.

O BOE estima que a inflação deverá cair para abaixo da meta (2%) no final de 2012, tomando por base as projeções de juro do mercado - de duas altas de 0,25 ponto porcentual este ano - e elevação do juro a cada três meses em 2012. Se as taxas ficarem inalteradas, a inflação ficaria levemente acima da meta no horizonte de dois anos, diz o relato.

Juntas, as considerações do relatório de inflação do BOE sugerem que o banco irá elevar o juro, mas não tão rapidamente quanto os participantes do mercado esperam. A taxa de juro de referência da economia do Reino Unido está no nível recorde de baixa, de 0,5%, desde março de 2009. O índice de preços ao consumidor subiu 4%, em base anual, em janeiro, o dobro da meta de médio prazo do BOE de 2%.

O relatório do Banco da Inglaterra também mostrou que aumentou a preocupação do Comitê de Política Monetária com o impacto da inflação alta sobre os gastos com consumo. Segundo o relato, há "riscos significantes de queda na demanda privada, especialmente nos gastos das famílias" e os riscos para o crescimento econômico de modo geral são de baixa.

O crescimento deve desacelerar em meados de 2011, segundo as projeções, para uma taxa anual de cerca de 1,5%, após um período de recuperação no início do ano. As projeções embutem a expectativa do mercado de duas elevações do juro em 2011. A leitura do BOE das expectativas do mercado para juro foi feita a partir da média dos últimos 15 dias de fevereiro, até o dia 9. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.