BC: investimento não reduziu ocupação da indústria

Diretor de Política Econômica do Banco Central diz que setor registra recorde de ocupação

Sandra Hahn,

01 de outubro de 2007 | 20h57

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mário Mesquita, reiterou hoje que nível atual de utilização da capacidade industrial no Brasil está próximo dos recordes registrados no final de 2004 e este patamar coincidiu, no passado, com aceleração inflacionária. Em julho de 2007, a utilização máxima medida pela Confederação Nacional da Indústria ficou em 82,55%. Alguns analistas apontam que este nível irá cair, mas a atitude prudente do BC é monitorar o comportamento do setor, ponderou Mesquita, em entrevista após apresentar, pela primeira vez fora de Brasília, o relatório de inflação do BC.  A expansão significativa do investimento industrial - que ficou em 13,8% no segundo trimestre de 2007, ante o mesmo período de 2006 - ainda não tem sido suficiente para reduzir o nível de utilização da capacidade, observou ele. O diretor avaliou, em sua palestra, que não apenas o índice total está elevado como se dissemina em vários setores econômicos.  Ao recordar que a política monetária opera com defasagens entre a aplicação das medidas e seus efeitos, explicou que o foco do BC já está no comportamento da inflação em 2008 e, na virada do ano, 2009 entrará "no radar". O BC avalia que tem pouco a fazer para influenciar o comportamento do índice nos últimos meses de 2007. Em 2008, a possibilidade "de descompassos mais intensos entre oferta e demanda agregada" é um dos fatores de risco do cenário, comentou o diretor, em entrevista. Embora as expectativas de inflação tenham subido, continuam abaixo da meta de 4,5% este ano e em 2008, enfatizou Mesquita.  Mesquita ressaltou que parece haver um processo de elevação de demanda no mundo, pressionando o aumento de preços dos alimentos. Ao mesmo tempo, a oferta agrícola brasileira cresceu, constatou ele. "Tudo isso vai ser levado em conta no comitê (Copom), em nosso processo decisório", comentou, sobre a próxima reunião do grupo, nos dias 16 e 17.  "Em 2007, sentimos que há muito pouco, de fato, que se possa fazer em relação à inflação deste ano", acrescentou. Mesmo assim, não quis comentar as projeções do mercado financeiro para a taxa básica de juros em outubro, que ficaram estáveis em 11%, considerando, portanto, uma queda na próxima reunião do Copom, ante o patamar atual de 11,25%. "Não vou julgar se estão certas ou erradas", resumiu.  Questionado sobre uma possível mudança do compulsório, Mesquita admitiu que a exigência aos bancos brasileiros é maior em relação à maioria dos países. No entanto, a tendência de médio prazo, conforme ele, é que o compulsório tenha uma estrutura mais parecida com a que existe no mundo, assim como a taxa de juros.  O BC deu início a apresentações regionais de seu relatório de inflação para melhorar o diálogo com a sociedade, disse Mesquita ao abrir a palestra na capital gaúcha, a primeira escolhida para a experiência. Na apresentação, reforçou que o BC tem atuado para reduzir a vulnerabilidade do País a choques externos, um objetivo amparado no reforço das reservas. A estratégia permite ao Brasil reduzir seu risco e acelerar a caminhada para atingir grau de investimento, avaliou Mesquita, citando que o Brasil recebeu melhora em sua classificação durante a atual crise desencadeada no mercado imobiliário norte-americano.

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