BC prevê mais US$ 60 bi em leilões diários no câmbio

O Banco Central (BC) esclareceu que a injeção de recursos no mercado cambial, prevista por meio de swaps cambiais e leilões de linha diários até o fim do ano, será de pelo menos mais US$ 60 bilhões. O volume total das operações está estimado em cerca de US$ 100 bilhões, sendo que US$ 45 bilhões já foram ofertados ao mercado.

CÉLIA FROUFE E RICARDO LEOPOLDO, Agencia Estado

22 de agosto de 2013 | 20h17

Conforme circular da autoridade monetária divulgada na noite desta quinta-feira, 22, a estratégia de oferecer leilões de swap cambial (que corresponde a disponibilidade de moeda no mercado futuro) e de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) começa nesta sexta, 23, e deve durar, pelo menos, até 31 de dezembro. De segunda a quinta-feira, serão ofertados US$ 500 milhões por dia por meio de leilões de swap. Às sextas, será oferecida ao mercado no leilão de linha um crédito de US$ 1 bilhão.

A última vez em que o BC havia feito um programa de swaps cambiais foi em 23 de outubro de 2008, no auge da crise financeira internacional, com o equivalente a até US$ 50 bilhões. Na ocasião, o valor foi definido de acordo com as exposições em moeda estrangeira, o que significava o grosso da demanda por hedge.

Nessa data, essa quantidade correspondia a aproximadamente um quarto das reservas internacionais do País. Nesta noite, o BC anunciou uma linha total - que inclui swaps cambiais e leilões de linha - no valor de cerca de US$ 100 bilhões, o que também equivale a cerca de 25% do total de reservas.

Para o professor da PUC-RJ e economista-chefe da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo, a decisão do governo de fazer leilões diários no mercado de câmbio deve ajudar a reduzir as incertezas de empresários em relação à evolução do dólar ante o real nos próximos meses. "É uma medida positiva que lembra uma decisão de governo no final do mandato de Fernando Henrique Cardoso (2002), quando havia nervosismo de investidores sobre o desfecho das eleições presidenciais naquela época", disse.

"Essa nova ação do governo indica que ele está muito preocupado com a forte depreciação do câmbio ocorrida recentemente em relação à inflação", declarou o economista. Na avaliação do acadêmico, boa parte da pressão no mercado que está provocando a intensa depreciação do real ante o dólar só vai passar com a adoção de "políticas monetária e fiscal críveis".

Segundo Camargo, o BC ainda não resgatou a credibilidade junto ao mercado e os agentes econômicos estão aguardando suas próximas decisões quanto à Selic para avaliar se de fato a instituição está comprometida em atacar a inflação de frente.

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