BC revisa PIB e juros precificam Selic em 7,5% em 2012

  Taxas futuras de juros de curto prazo reagiram em baixa com as revisões de projeção para o PIB deste ano

Márcio Rodrigues, da Agência Estado,

28 de junho de 2012 | 16h57

As taxas futuras de curto prazo reagiram em baixa ao fato de o Banco Central ter reduzido consideravelmente sua projeção para o PIB deste ano, de 3,5% para 2,5%, segundo o Relatório Trimestral de Inflação divulgado nesta quinta-feira. Além disso, a autoridade monetária projetou uma inflação menor para 2013, o que fez os investidores em juros futuros precificarem, definitivamente, mais dois cortes de 0,5 ponto porcentual da Selic, em julho e agosto, convergindo para o cenário que já foi projetado pelos analistas ouvidos na pesquisa Focus.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, o DI janeiro de 2013 (171.345 contratos) estava em 7,62%, de 7,65% no ajuste. O DI janeiro de 2014 (207.900 contratos) cedia para 7,87%, de 7,94% na véspera. Os vencimentos mais longos, no entanto, apresentaram viés de alta. A taxa projetada pelo DI janeiro de 2017 (62.820 contratos) era de 9,38%, de 9,37% na véspera, enquanto a taxa do DI janeiro de 2021 (5.195 contratos) subia a 10,09%, de 10,02% no ajuste.

A redução da estimativa para o PIB deste ano já era amplamente esperada pelo mercado, mas a revisão para baixo da inflação de 2013, além da citação no relatório de que o viés deflacionário das commodities está mantido, ajudou a consolidar o entendimento de que o afrouxamento monetário, por mais que o BC diga que será feita com parcimônia, ainda se estenderá por mais dois encontros. Segundo o documento divulgado nesta quarta-feira, no cenário de mercado a previsão para a inflação em 2013 foi ajustada de 5,3% para 4,9%.

Ainda sobre a revisão do PIB, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Araújo, ao comentar o relatório, afirmou que a economia vai melhorar no segundo semestre e em 2013, reforçando declarações recentes do governo. Aliás, a palavra da Fazenda sobre a nova previsão do BC veio no período da tarde. O secretário de Política Econômica, Márcio Holland, afirmou que o conjunto das projeções dadas pelo Banco Central "não é um dado que possa se tomar como sendo preciso e certo".

A reunião do Conselho Monetário Nacional realizada na tarde desta quarta-feira não trouxe surpresas. O centro da meta de inflação para 2014 foi mantido em 4,5%, assim como foi confirmada a redução da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), de 6% para 5,5%.

No exterior, o primeiro de dois dias da reunião de cúpula da União Europeia, em Bruxelas, ainda não trouxe fatos concretos. Um documento preliminar, no entanto, informa que os líderes europeus deverão se comprometer com um pacto de crescimento no valor de 120 bilhões de euros (US$ 149,8 bilhões), que incluirá um aumento de 10 bilhões de euros no capital do Banco Europeu de Investimento (BEI) e a finalização de um plano para fortalecer a zona do euro até o fim do ano.

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