BC sugere ajuste da taxa Selic e juro futuro avança

Inflação em 2011 seguirá em nível elevado e o Banco Central deverá se valer de artifícios tradicionais para conter a alta dos preços, avaliam especialistas

Olívia Bulla, da Agência Estado,

22 de dezembro de 2010 | 09h54

A inflação em 2011 seguirá em nível elevado e o Banco Central deverá se valer de artifícios tradicionais para conter a alta dos preços, a fim de garantir que o IPCA no ano que vem não supere o teto da meta. Essa é a análise preliminar de profissionais de mercado, que ainda digerem o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado hoje pela autoridade monetária. Os especialistas destacam que, no documento, o BC foi mais incisivo quanto à necessidade de um ajuste da taxa básica de juros (Selic) no curto prazo, o que projeta para cima as taxas dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados nesta manhã na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).

"O BC já preparou o mercado para subir os juros", avalia o estrategista-chefe da CM Capital Markets, Luciano Rostagno. Para ele, a combinação do avanço das projeções para o IPCA em 2011, tanto no cenário de referência quanto no de mercado, com a incorporação dos efeitos da alta dos compulsórios bancários, assim como de um ajuste fiscal, no cenário prospectivo deixa quase escancarada a necessidade de implementação de um novo ciclo de aperto monetário no País. "Na ata da reunião de dezembro (divulgada na semana passada), o BC deixou as portas abertas (para um aumento), mas com o relatório foi mais explícito", acrescenta.

Da mesma opinião é o gerente de renda fixa da Lerosa Investimentos, Fernando Mendes. "O relatório de inflação referenda que uma medida tradicional de política monetária para controlar a alta dos preços deve ser acionada, enquanto a ata mencionava que aguardava uma avaliação dos efeitos das medidas macroprudenciais", diz.

No documento divulgado hoje, o Banco Central informou que a previsão oficial para o IPCA em 2011 no cenário de referência subiu de 4,6% para 5%. Já para o cenário de mercado, a projeção avançou de 4,6% para 4,8%. A autoridade monetária destaca também que a chance de o índice oficial de inflação superar o teto da meta, de 6,5%, no ano que vem, em ambos os cenários, subiu para 13%.

Às 9h55, na BM&F, o DI com vencimento em abril de 2011 projetava taxa de 11,09% ao ano, de 11,04% no ajuste de ontem; o DI com vencimento em julho de 2011 tinha taxa de 11,58%, de 11,48% na véspera; o DI de janeiro de 2012 exibia taxa de 12,08%, de 12,00% no ajuste.

Tudo o que sabemos sobre:
juro futuroSelicBCrelatório

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.