BC supera US$ 100 bi em operações de swap cambial

Um ano e dois meses após começar a oferecer a chamada "ração diária" de dólares ao mercado, o Banco Central superou esta semana US$ 100 bilhões em operações de swap cambial, mecanismo equivalente à venda futura da moeda americana que ajuda a dar proteção cambial (hedge). Até agora, o BC colocou dois milhões de contratos no mercado e promete que os leilões diários devem continuar ocorrendo até o fim do ano.

FABRÍCIO DE CASTRO E CÉLIA FROUFE, Estadão Conteúdo

18 de outubro de 2014 | 07h21

Bem-sucedido, segundo analistas ouvidos pelo Estado, o programa ajudou a conter a instabilidade do dólar, mas implica riscos ao sistema. Ao segurar a cotação do dólar com os swaps, o BC diminui os efeitos negativos do câmbio sobre a inflação. E evita uma disparada das cotações provocada pelo nervosismo com a eleição.

"O BC foi bem-sucedido com os swaps ao comprar credibilidade para a moeda nacional (o real)", avalia Sidney Nehme, sócio da NGO Corretora. "Hoje, o swap não surte tanto efeito, mas ainda evita que ocorra expansão maior do preço da moeda."

O estrategista-chefe da CGD Securities, Mauro Schneider, afirma que faz sentido o BC intervir por meio de swaps também em função da inflação, já pressionada. "Mas para o funcionamento do câmbio, isso é uma distorção", pondera. "E se ocorrer novo momento de tensão como no ano passado? Com o BC já exposto em US$ 100 bilhões, ele terá margem de manobra para entrar ainda mais no mercado?"

A adoção de medidas para reduzir a volatilidade do câmbio em momentos mais tensos é, segundo ele, compreensível e correta. "O problema é fazer isso em demasia, gerando uma compressão fictícia para o dólar."

A dúvida no mercado, no entanto, é sobre a continuidade do programa em 2015. O ex-presidente do BC, já nomeado ministro da Fazenda em um eventual governo de Aécio Neves (PSDB), o economista Arminio Fraga, afirmou nesta semana à agência Reuters que essa intervenção acabará "imediatamente" se os tucanos ganharem a eleição.

Quando o programa estreou, em 23 de agosto do ano passado, o dólar valia R$ 2,44 no início do pregão. Ontem, a moeda estava pouco acima desse nível, comercializada na casa de R$ 2,46. Neste ano, até agosto, o BC lucrou R$ 20 bilhões com essas operações de swap, mas já avisou que, em setembro, deve ter prejuízo por causa da alta do dólar no período.

Limite

O compromisso da instituição de prover hedge até o fim de dezembro é aliado à tentativa de minimizar o vaivém das cotações e as pressões de alta para a moeda americana. Isso em um ambiente altista para o dólar em função da dificuldade de o País atrair investimentos e da perspectiva de aumento de juros nos Estados Unidos - o que poderia "roubar" recursos direcionados a países como o Brasil.

O atual presidente da autarquia, Alexandre Tombini, disse no último fim de semana que a estratégia tem funcionado corretamente. "Não tenho notícia sobre o futuro do programa neste momento".

Nehme, da NGO, avalia: "Vejo o BC refém da continuidade. Enquanto o País não recuperar seus fluxos líquidos positivos, o BC não tem como reverter sua atuação no mercado de swaps".

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