BCE, BoE e Fed ainda não estão confortáveis para fazer aperto

Na avaliação da economista Sandra Utsumi, BCs têm um longo caminho na direção de estimular suas economias

Luciana Xavier, da Agência Estado,

04 de novembro de 2009 | 16h04

Os bancos centrais das principais economias do mundo, o Federal Reserve (Fed) dos EUA, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Central da Inglaterra (BoE) ainda têm um longo caminho na direção de estimular suas economias antes de mudarem de direção, na avaliação da economista Sandra Utsumi, diretora adjunta de análise de renda fixa do BES Investimento em Lisboa. "É muito possível que nos próximos seis meses esses BCs não se sintam confortáveis para fazer um aperto (monetário). Isso deve estar em segundo plano. O primeiro estágio será o de reduzir os estímulos, como compra de ativos", afirmou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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O BoE se reúne na quarta-feira para decidir sobre os juros, hoje em 0,50%, e a expectativa do mercado é de manutenção. Já o BCE tem reunião na quinta-feira e também não deve alterar o nível do juro, que está em 1%. No caso do BC inglês, Sandra acredita que o limite de £ 175 bilhões para o programa de compra de ativos deverá ser ampliado em £ 50 bilhões, para £ 225 bilhões. Isso porque a Inglaterra continua em recessão, conforme mostrou o PIB de -0,4% do 3º trimestre deste ano e possivelmente sofrerá mais do que a Zona do Euro e Estados Unidos. O Reino Unido registrou quatro trimestres consecutivos de PIB negativo.

 

"O BC inglês frustrou a expectativa de que saísse da recessão. Creio que o governo fez o que estava ao seu alcance, mas a reação da economia deve ser mais lenta", disse. O BCE, acredita Sandra, não deve mexer nos juros tão cedo, pois deverá agir em linha com o Fed e BoE, ainda que a região já possa estar fora da recessão. Sandra disse que a Zona do Euro deve sair da recessão no terceiro trimestre, com crescimento do PIB de 1% a 1,5%, e a recuperação será puxada principalmente pela Alemanha e França.

 

Mas a cautela dos BCs, segundo ela, independentemente da economia estar fora da recessão técnica, se deve ao temor de um duplo mergulho na recessão. Segundo ela, a Zona do Euro, Inglaterra, EUA e Japão não querem repetir o erro da Grande Depressão, de antecipar o movimento de aperto monetário sem que as economias estivessem plenamente em recuperação.

 

Por isso, a economista disse que há dúvidas em relação à força da recuperação da economia americana. Em seu cenário não há duplo mergulho na recessão nem nos EUA nem na Europa, mas ela ressaltou que o PIB dos EUA no terceiro trimestre foi puxado pelos estímulos do governo e será preciso observar como a economia se comportará nos próximos trimestres sem esses estímulos.

 

Ela citou os incentivos que acabam este ano, como o programa "cash for clunkers" (dinheiro por sucata), para alavancar o setor automobilístico, e o aumento do crédito habitacional, especialmente para os que vão comprar o primeiro imóvel. Para a economista, as economias europeias devem continuar crescendo abaixo do potencial por um ou dois anos. Ela disse ainda que o dólar deve ganhar terreno em relação à libra e o euro em 2010, mas não deve retornar aos patamares pré-crise.

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