BCs não devem começar aperto até 2º semestre de 2010

Para Matthew Sherwood, da Experian, existe muita preocupação sobre o ritmo da retomada econômica

Luciana Xavier, da Agência Estado,

06 de novembro de 2009 | 16h52

Os comunicados dos bancos centrais da Zona do Euro, Inglaterra e Estados Unidos sinalizam que existe muita preocupação sobre o ritmo da retomada econômica nessas regiões e que o momento para aperto monetário está distante. A avaliação é de Matthew Sherwood, economista-sênior para assuntos globais da Experian, em Londres, que concedeu entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo.

 

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Ele descarta a possibilidade de aumento de juros pelo Federal Reserve, dos EUA, Bank of England (BoE) e Banco Central Europeu (BCE) antes do segundo semestre de 2010. Sherwood acrescentou que o início do ciclo deve ocorrer na mesma época, ainda que não haja um esforço coordenado, sendo que o BCE pode iniciar esse processo e o Reino Unido demorar um pouco mais.

 

Para o economista, os sinais de recuperação nessas regiões ainda não são consistentes. Pior no caso do Reino Unido, que há cinco trimestres registra PIB negativo. Sherwood avalia que o país só sairá da recessão daqui um ou dois trimestres. "Sem dúvida o Reino Unido sofrerá mais que os EUA e terá declínio maior porque não teve a mesma quantidade de estímulos fiscais", avaliou.

 

Nesta última quinta-feira, o Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra decidiu, além de manter a taxa básica de juro no nível histórico de 0,50%, elevar o programa de compra de bônus em mais £ 25 bilhões, para £ 200 bilhões. No mercado, havia apostas também de que esse limite poderia subir em £ 50 bilhões. "Há algumas notícias positivas na economia em relação ao setor de serviços e manufatureiro. Então o BoE avaliou que não precisaria chegar a aumentar o limite em £ 50 bilhões", disse.

 

Já o BCE decidiu esta manhã manter os juros em 1%, enquanto o Fed anunciou ontem que os juros ficariam estáveis na faixa de zero a 0,25%. Nas três regiões, os juros se encontram nas mínimas históricas. Nos EUA, o PIB do terceiro trimestre mostrou que o país saiu da recessão ao crescer 3,5%.

Sherwood acredita que a Zona do Euro também terá um terceiro trimestre positivo.

 

A questão, segundo ele, é quão consistente é essa retomada. Nos EUA, o terceiro trimestre foi alavancado por programas de estímulos como o cash for clunkers (dinheiro por sucata) e crédito para compradores do primeiro imóvel. Esses estímulos terminam este ano e Sherwood ressalta que o desemprego no país continua muito alto e o consumo, fraco.

 

Sherwood acredita que desemprego nos EUA atingirá os 10%, mas demonstrou preocupação também com o aumento do subemprego ou empregos part time (meio período), na falta de vagas em tempo integral, cuja taxa poderá chegar a 19% ou 20% nos próximos meses.

 

O economista disse ainda que a concessão de crédito para pequenas empresas e pessoa física continua muito apertada nas três regiões e que o consumidor americano ainda está optando por quitar suas dívidas a consumir.

 

Diante desse cenário, Sherwood afirmou "definitivamente há ainda risco de duplo mergulho na recessão" ou recessão em "W". Esse risco, segundo ele, é maior no Reino Unido. No entanto, o cenário mais provável deve ser de uma desaceleração global, especialmente nessas regiões, nos dois primeiros trimestres de 2010.

 

Ele projeta crescimento do PIB em 2010 de 2% para os EUA; de 1% para Zona do Euro; e de 0,5% para o Reino Unido. O economista reconhece, porém que a estimativa para EUA está menos altista do que muitos analistas e vê chances de o país surpreender e mostrar números mais fortes no ano que vem. "Mas creio que veremos o pico da recuperação (global) somente em 2011 ou 2012", disse.

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