Bens de empresa metalúrgica são pleiteados por funcionários

A Vara de Trabalho de Caieiras determinou a apreensão judicial dos bens da Ellen Metalúrgica e Cromeação LTDA, localizada naquele município da Grande São Paulo. A fábrica produz materiais de autopeças e componentes de filtros de água, torneiras e bebedouros e não paga direitos trabalhistas desde 2004. Também corre na mesma instância o pedido para que a gestão da empresa passe para as mãos dos funcionários.Ontem, durante audiência de dissídio no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região de São Paulo à qual não compareceram representantes da empresa, a juíza Vania Paranhos determinou que o arresto fosse feito imediatamente por um oficial de Justiça, para evitar uma eventual retirada das máquinas da fábrica pelos proprietários.Em carta enviada ao presidente Luis Inácio Lula da Silva e ao ministro do Trabalho, Luiz Marinho, os funcionários dizem: "Desde 2004, nossa empresa foi entregue a um grupo de administração contábil, o qual deixou de pagar todos os nossos direitos e impostos devidos: FGTS, INSS e os impostos de renda são recolhidos e não repassados à Receita Federal. Nos últimos três meses, não estamos recebendo nosso salário em dia e a situação da empresa se tornou insustentável". A Agência Estado não conseguiu contato com representantes da Ellen.De acordo com a sentença do juiz Alessandro da Silva, da Vara de Caieiras, "a ré reconheceu que sua dívida trabalhista atinge cerca de R$ 950 mil e que pretende despedir os 117 empregados que ainda lhe prestam serviços". Mas os funcionários estimam que o montante total das dívidas está em torno de R$ 10 milhões, a maior parte com o governo federal.Também existem dúvidas sobre a existência de laranjas. Ainda segundo a sentença, a Ellen "em 04/01/06 transferiu o imóvel no qual mantém suas atividades para o sócio José Clementino Soares Pacheco, que, por sua vez, o transferiu em 09/06/06 para Carlos Roberto dos Santos. Tal conduta revela um intuito de dilapidar o patrimônio da requerida em detrimento dos direitos trabalhistas de seus empregados".A autogestão, se determinada pela Justiça, será um desafio. "O que for arrecadado no faturamento da produção será usado primeiramente para comprar insumos, matéria-prima, para pagar energia e a folha de pagamento. Com o que sobrar vamos pensar no pagamento das dívidas. Não vamos nos esquecer delas porque precisamos ter confiança do mercado", explica José Carlos da Silva, secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Cajamar e Região, que representa os trabalhadores da Ellen. Silva tornou-se o responsável pelos bens da Ellen depois do arresto.

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