Bernanke não anima, mas Bolsas da Europa fecham em alta

Presidente do Fed não deu sinais explícitos da intenção de dar início a nova rodada de estímulos

Sergio Caldas, Agencia Estado

31 de agosto de 2012 | 14h42

As bolsas europeias fecharam em alta nesta sexta-feira, com exceção da de Londres, apesar da decepção dos investidores com o discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no simpósio anual de Jackson Hole. O índice Stoxx Europe 600 subiu 0,5%, a 266,23 pontos, interrompendo uma sequência de três pregões em baixa. O índice pan-europeu garantiu ganho de 1,9% em agosto, mas recuou 0,7% na última semana do mês.

Em uma repetição do comunicado emitido pelo Fed no começo do mês, Bernanke reiterou nesta sexta-feira a possibilidade de mais ações de estímulo e defendeu vigorosamente os benefícios do uso que o banco central norte-americano fez no passado de políticas não convencionais para impulsionar a economia dos EUA.

Bernanke, no entanto, não deu sinais explícitos da intenção do Fed de dar início a uma nova rodada de estímulos econômicos, como fez em 2010, no mesmo evento.

"O discurso de Bernanke em Jackson Hole não trouxe nada de novo a respeito do tamanho de ou quando será adotada uma nova rodada de relaxamento quantitativo", disse Michael Hewson, da CMC Markets.

Já para David Semmens, do Standard Chartered, foi positivo o chefe do Fed deixar claro que o BC dos EUA está pronto para agir se necessário.

Além disso, os investidores têm esperanças de que o Banco Central Europeu (BCE) anuncie um plano abrangente para a compra de títulos soberanos da zona do euro após sua reunião de política monetária, na próxima quinta-feira (6).

Também favoreceram as praças europeias o anúncio, em Madri, de uma série de medidas para acelerar as reformas no setor bancário espanhol, que no mês passado garantiu da União Europeia um pacote de ajuda de até 100 bilhões de euros.

O índice FTSE 100, de Londres, recuou 0,14%, fechando a 5.711,48 pontos. A bolsa inglesa subiu 1,35% ao longo do mês. Na semana, no entanto, a perda foi de 1,13%. O setor de minério, que nas últimas sessões fez pressão de baixa, mostrou um comportamento indefinido no pregão desta sexta-feira. ENRC teve a maior queda, de 1,5%, mas Glencore e Xstrata, que tentam fundir suas operações, saltaram 7,7% e 5,7%, respectivamente.

Em Paris, o índice CAC-40 registrou alta de 1,00%, a 3.413,07 pontos, assegurando ganho de 3,69% em agosto e limitando o declínio da semana a 0,59%. O Crédit Agricole avançou 7,6% após comentários positivos da Fitch. Carrefour, por sua vez, caiu 0,9% em um movimento de realização de lucros que se seguiu ao ganho de quinta-feira.

O índice Dax, de Frankfurt, subiu 1,09%, a 6.970,79 pontos. No mês, o avanço da bolsa alemã foi de 2,93%. Na semana, houve queda de 0,19%. Deutsche Bank avançou 4,8%, após precificar uma emissão de bônus de oito anos no valor de 750 milhões de euros, e o Commerzbank teve ganho de 2,2%.

Em Madri, o índice Ibex-35 teve o melhor desempenho do dia entre os grandes mercados europeus, com alta de 3,13%, a 7.420,50 pontos. A bolsa espanhola registrou também fortes ganhos na semana (1,51%) e em agosto (+10,13%). Entre os bancos, impulsionados pelo anúncio de reforma no setor financeiro, subiram Sabadell (10%), Bankia (6,3%), Santander (6%) e BBVA (5,5%).

Já a bolsa de Milão subiu 2,16%, com o índice FTSE Mib a 15.100,48 pontos. Os ganhos acumulados na Itália também foram significativos, de 1,38% na semana e de 8,85% ao longo do mês. Banca Monte dei Paschi di Siena e Intesa Sanpaolo se destacaram, com respectivas altas de 6,5% e 4.1%.

O índice PSI-20, de Lisboa, avançou 1,10%, a 4.998,86 pontos, resultado que assegurou ganho de 6,63% no mês e de 2,50% na última semana de agosto. As informações são da Dow Jones.

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