BES diz que investidores de varejo serão reembolsados

O Banco Espírito Santo (BES) confirmou que vai reembolsar todos os seus clientes de varejo que investiram em notas promissórias, ou "commercial paper", emitidas pela sua principal holding, a Espírito Santo Internacional (ESI), que na sexta-feira pediu proteção contra credores. Segundo o banco, os clientes de varejo têm 255 milhões de euros (US$ 345 milhões) em dívida da holding.

AE, Agência Estado

20 de julho de 2014 | 11h53

Até 10 de julho, a Espírito Santo International tinha uma exposição de 342 milhões de euros para a unidade principal, Rioforte Investments, que também está considerando entrar com proteção judicial de credores, de acordo com uma pessoa familiarizada com a situação.

"O banco, por meio de sua rede comercial, entrará proativamente em contato clientes" que compraram a dívida de ambas as entidades, disse o Banco Espírito Santo em um comunicado enviado ao The Wall Street Journal neste domingo.

O banco tornou-se o centro de uma tempestade, que começou em maio, quando uma auditoria ordenada pelo banco central do país descobriu que a Espírito Santo International estava em uma "condição financeira grave", incluindo irregularidades contábeis.

A Espírito Santo International tem participação de 49% na Espírito Santo Financial Group (ESFG), que, por sua vez, possui 20% do Banco Espírito Santo.

O Wall Street Journal informou em novembro do ano passado que o conglomerado estava dependendo cada vez mais em vender dívida para os clientes do banco para levantar fundos.

Após a divulgação dos problemas das instituições em maio, o Espírito Santo Financial Group disse que tinha reservado 700 milhões de euros para pagar os clientes de varejo do Banco Espírito Santo que investiram em dívida do Espírito Santo International e suas entidades.

O banco disse no início deste mês que, além do "commercial papel" do Espírito Santo International e da Rioforte, os clientes de varejo também investiram 212 milhões de euros em dívidas do Espírito Santo Financial Group. Há sinais de que a empresa também está enfrentando dificuldades financeiras e as ações do ESFG foram suspensas da Bolsa de Lisboa desde 10 de julho. Na sexta-feira, o supervisor bancário do Panamá assumiu um pequeno banco de propriedade do ESFG "dada a sua situação ilíquida e potencialmente insolvente".

Representantes da Espírito Santo Financial Group não puderam ser encontrados para comentar o assunto.

O Banco Espírito Santo também reafirmou que os clientes institucionais que investiram 2 bilhões de euros em "commercial papel" da Espírito Santo International e suas entidades não serão reembolsados pelo credor, uma vez que são considerados como investidores qualificados, com capacidade de avaliar o risco.

O banco também está exposto a Espírito Santo International e entidades através de 1,2 bilhões de euros em empréstimos. O BES disse que tinha uma margem de capital de 2,1 bilhões de euros para cobrir quaisquer calotes.

Em sua solicitação de proteção contra credores em um tribunal no Luxemburgo na sexta-feira, o Espírito Santo International disse que vai procurar implementar um plano para um descarte ordenado de seus ativos, acrescentando que isso "será no melhor interesse dos credores".

A maioria dos seus ativos são detidos pela Rioforte, que além da participação na Espírito Santo Financial Group, é proprietária de imóveis e hotéis em Portugal e no Brasil, e uma companhia de seguros e parte de um operador de hospital em Portugal.

Já que o conglomerado é privado, há pouca informação disponível sobre as suas finanças. Além do Banco Espírito Santo, que é exposta a diversas entidades do Espírito Santo International, a empresa de telecomunicações Portugal Telecom é uma grande credora da Rioforte Investments.

No início desta semana, a Portugal Telecom, que está em processo de fusão com a brasileira Oi, divulgou que não recebeu o reembolso de uma dívida de 847 milhões de euros da Rioforte. A Portugal Telecom disse que vai buscar as opções legais para obter o dinheiro de volta. Fonte: Dow Jones Newswires.

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