BIS prevê boa atratividade do Brasil a estrangeiros

Os fundamentos da economia brasileira, o apetite dos investidores por risco e a valorização do real devem garantir um bom desempenho dos papéis brasileiros no mercado internacional em 2006, além de uma maior exposição dos bancos estrangeiros ao País. A avaliação é do Banco de Compensações Internacionais (BIS), que hoje divulga seu relatório trimestral. Segundo o levantamento, as emissões brasileiras em real proporcionaram à América Latina a liderança como a região emergente com o maior volume de emissões em moedas locais, com um volume quase quatro vezes superior ao da Ásia em 2005. De acordo com o BIS, a tendência positiva registrada no Brasil ocorre também com os demais países emergentes. De acordo com a avaliação, os papéis dessas economias atingiram valores recordes no início de 2006. O Brasil, juntamente com a Venezuela, foram os dois principais beneficiários das emissões de bônus no exterior no final de 2005. Para o BIS, essa situação positiva para os mercados emergentes ocorreu em grande parte graças à melhoria nos fundamentos macroeconômicos de vários países, gerando um "entusiasmo dos investidores" pelos papéis dos mercados emergentes. A melhora na posição externa das economias, as políticas monetárias e fiscais sólidas e sistemas financeiros mais estruturados teriam tornado os mercados emergentes mais "resistente a choques", reduzindo o risco associado ao investimento a esses países. Não por acaso, o BIS lembra que tanto o Brasil como a Argentina aproveitaram para acumular rapidamente reservas e pagar os empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) em US$ 25 bilhões. Além disso, a Moody´s aumentou grau de investimento de 13 economias emergentes nos últimos doze meses. Apetite por risco Mas só os fundamentos macroeconômicos não justificariam tanta demanda dos investidores por papéis dos mercados emergentes. Segundo o BIS, outro fator importante foi o aumento do apetite por risco por parte dos investidores. Segundo o BIS, houve uma "entrada massiva de capital estrangeiro" nos países emergentes nos últimos meses, com um fluxo acima de US$ 160 bilhões em relação aos papéis da dívida. A tendência, segundo o banco, deve ser mantida nos próximos meses. O que também contribuiu para atrair os investidores foi a valorização das moedas dos mercados emergentes, entre eles, o real. Segundo o BIS, os ganhos dos investidores em moeda local foram ampliados, diante de uma apreciação média de mais de 2% das moedas dos países emergente em relação ao dólar apenas em janeiro e fevereiro. Os analistas acreditam que essa valorização poderia ter sido ainda maior, já que nesse mesmo período os Bancos Centrais acumularam reservas diante de suas intervenções. A América Latina, de acordo com os especialistas, foi a principal responsável por essa valorização. Em 2005, a região fechou contratos no valor de US$ 4,2 bilhões em moeda local, bem acima dos contratos de US$ 1,4 bilhão registrados na Ásia. Segundo o BIS, o Brasil tem sido o "ator principal" nessas iniciativas, com emissões em moeda nacional sendo realizadas especialmente pelo Bradesco e Banco Votorantim. Outro aspecto positivo para os emergentes foi a redução dos spreads para níveis inéditos, principalmente em relação aos papéis emitidos pela América Latina. Para o BIS, isso seria uma das provas de que a percepção de risco caiu em relação a esse grupo de países. Diante desse cenário, os países emergentes aproveitaram as condições de financiamento favoráveis durante 2005 e aumentaram a emissão de bônus em mais de 50%, batendo todo os recordes. As emissões ainda foram 120% maiores que a média nos últimos dez anos. O que impressiona o BIS é que muitos países já tinham atingido seus objetivos de emissões para 2005 e, alguns até cumpriram antecipadamente as metas para 2006. Mesmo assim, continuaram a emitir. A América Latina foi a única região em que as emissões de forma geral caíram no último trimestre de 2005 em comparação ao trimestre anterior. Mas mesmo assim, emissões líquidas da região duplicaram em relação a 2004 e chegaram a US$ 8,2 bilhões. O Brasil e Venezuela foram os países que mais ganharam, com emissões de US$ 2,3 bilhões e US$ 2,9 bilhões respectivamente. Maior exposição A situação favorável para os mercados emergentes também possibilitou uma maior exposição dos bancos estrangeiros ao Brasil. Os bancos somavam US$ 77,4 bilhões em créditos, operações e outros contratos com o País em dezembro de 2004. Em setembro de 2005, esse valor chegou a US$ 82 bilhões. No geral, os bancos internacionais acumularam uma exposição de US$ 156 bilhões ao mercado brasileiro em 2005, dos quais US$ 115 bilhões são de bancos europeus, contra apenas US$ 26,4 bilhões das entidades americanas. Já em outros mercados emergentes exportadores de petróleo, o BIS identificou uma saída da recursos desses países diante da necessidade de muitos em reciclar seus petrodólares em bancos no exterior. Pelos cálculos do BIS, cerca de US$ 40 bilhões saíram dos países emergentes e foram, em sua grande maioria, para bancos nos Estados Unidos (EUA) e Reino Unido. Na América Latina, a fuga de capitais foi de US$ 4,7 bilhões, mas quase que exclusivamente diante de recursos mexicanos enviados para EUA e Reino Unido. No mundo, a exposição e contratos de bancos chegaram a US$ 20,7 trilhões, 18,2% a mais que em 2004 e o maior volume já registrado. Os países emergentes responderam por 12% dessas movimentações.

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