Bloqueio de ações da Ipiranga impede envio ao exterior

O bloqueio das operações de dois suspeitos de terem adquirido ações das empresas do grupo Ipiranga, antes de sua compra na semana passada, visa impedir a movimentação e até a migração para fora do Brasil do dinheiro obtido com a operação, disse hoje o presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade. Segundo ele, o bloqueio, inédito no País, foi necessário devido à gravidade da questão. "Temos a obrigação de evitar que quem se utilizou de informação privilegiada saia beneficiado e prejudique os que venderam", disse. O bloqueio foi obtido junto à 1ª Vara da Federal do Rio de Janeiro, em ação impetrada pela CVM e o Ministério Público Federal. A decisão foi tomada pelo juiz Mauro Souza Marques da Costa Braga. Em sua decisão, o juiz observou que "em que pese a obtenção de lucros seja a essência do mercado de capitais, é cediço que a obtenção de tais lucros não pode se dar por meio de informação privilegiada". Segundo ele, a ação da Justiça só atinge dois suspeitos de terem movimentado de maneira extraordinária as ações do Grupo Ipiranga entre os dias 14 e 16 de março. Tratam-se de um fundo de investimentos e de uma pessoa física. A identidade dos suspeitos é mantida sob sigilo da CVM. Trindade informou que como a ação foi obtida a tempo, não houve como os suspeitos se livrarem dos papéis, o que dificultaria as investigações. A CVM terá 90 dias para analisar as operações.

Agencia Estado,

22 de março de 2007 | 10h13

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