BM&FBovespa quer eficiência para bater concorrentes

Principal meta da empresa agora é a junção em uma de suas quatro clearings (ações, ativos, câmbio e derivativos)

Reuters,

24 de fevereiro de 2010 | 16h35

Antevendo a chegada de concorrentes no mercado financeiro doméstico, a BM&FBovespa vai calibrar os investimentos para ganhar eficiência e escala no Brasil e no exterior em 2010. "Vamos deixar um osso duro de roer para os concorrentes que quiserem entrar no Brasil", disse o presidente-executivo da companhia, Edemir Pinto, a jornalistas, ao divulgar os resultados do quarto trimestre de 2009.

 

Nesse sentido, a principal meta da empresa agora é a junção em uma de suas quatro clearings (ações, ativos, câmbio e derivativos), o que deve acontecer até o terceiro trimestre de 2011.

 

Essa integração vai consumir parte dos R$ 302 milhões de investimentos orçados pela bolsa para 2010. O restante será usado sobretudo para aumentar a capacidade de processamento das operações, à medida que a instituição espera uma explosão dos volumes.

 

Só no segmento pessoa física, o plano é elevar o total de investidores, dos cerca de 570 mil atuais para aproximadamente cinco milhões em cinco anos. Parte desse contingente virá do exterior, segundo o executivo. "A ideia é trazer para a nossa bolsa investidores de mercados maduros, como Estados Unidos, Europa e Ásia."

 

Para isso, a BM&FBovespa planeja lançar no segundo semestre deste ano uma plataforma de negociação específica para investidores pessoa física de fora do Brasil. Por meio desse canal, os não-residentes poderão comprar e vender ações na Bovespa em dólar, sem a necessidade de conversão de moedas, explicou Edemir.

 

As ordens serão roteadas por meio de bolsas no exterior com as quais a BM&FBovespa já vem desenhando acordos operacionais, caso das norte-americanas Nasdaq e CME Group, a maior do mundo.

 

Com esta última, a bolsa brasileira firmou no último dia 12 acordo para elevar sua fatia na empresa dos atuais 1,8% para 5% do capital, que vai consumir investimentos de US$ 620 milhões. É por meio dessas parcerias que a instituição visualiza que subirá da terceira posição para a vice-liderança global no setor até 2012.

 

De acordo com Edemir, embora a BM&FBovespa disponha de caixa para quitar todo o investimento no CME Group, cerca de metade desse montante deve ser pago com a emissão de dívida.

 

Em paralelo ao aumento esperado no volume de negócios, a empresa prevê a volta das ofertas de ações aos níveis mais altos da história do mercado brasileiro, alcançados em 2007, movimento interrompido no ano seguinte pelos efeitos da crise global.

 

"Os problemas recentes da Grécia esfriaram um pouco os IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês), mas isso é momentâneo. Não vamos ficar no vermelho em relação a 2007", disse Edemir.

 

De acordo com o executivo, com as parcerias internacionais, a bolsa também vai incentivar a dupla listagem, tanto de companhias internacionais no mercado brasileiro, quanto das companhias domésticas em outros mercados.

 

(Por Aluísio Alves)

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