BM&FBovespa terá negócios com recibos de ações de empresas dos EUA

O primeiro acordo para negociação foi fechado com uma instituição, que trará um pacote com dez companhias americanas

Natalia Gómez, da Agência Estado,

20 de abril de 2010 | 17h32

A BM&FBovespa está preparando o terreno para a negociação de Brazilian Depositary Receipt (BDRs, recibos de ações de empresas estrangeiras negociados no País) não patrocinados - lançados por instituições financeiras no pregão brasileiro, e não pela empresa emissora dos papéis. O objetivo é simplificar a vida dos fundos de investimentos que estão interessados em investir no exterior, mas esbarram em custos maiores e em uma operação mais complexa.

 

"Vamos abrir um canal para que os fundos possam utilizar a estrutura que já têm hoje para investir em papéis estrangeiros", disse o diretor de renda variável da BM&FBovespa, Júlio Ziegelmann. A novidade pode sair do papel em "dias ou semanas", segundo o executivo.

 

O primeiro acordo para as negociações de BDRs já foi fechado com uma instituição financeira, que trará um pacote com dez companhias norte-americanas para negociação. Ao anunciar este acordo, a bolsa também abrirá uma concorrência para outra carteira de dez papéis. Ganhará a instituição que garantir o maior volume de negócios.

 

A princípio, a iniciativa contemplará apenas companhias dos Estados Unidos, mas com o tempo deve incluir empresas de outras regiões. Os papéis não poderão ser negociados diretamente por pessoas físicas, porque os BDRs serão lançados por instituições financeiras, de modo que as empresas emissoras não terão vínculo com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

 

Este projeto faz parte de uma estratégia mais ampla da BM&FBovespa para ampliar a variedade de produtos de renda variável. Segundo Ziegelmann, outra iniciativa prevê a criação de formadores de mercado para opções de Ibovespa e das principais ações do índice referencial. De acordo com o executivo, o objetivo é levar liquidez para outras opções além da Vale e da Petrobras. As opções destas empresas são as duas mais negociadas de todo o mundo, segundo o executivo. O objetivo é ter até três formadores de mercado para cada opção.

 

Fundos de índice

 

Outra iniciativa prevê novos fundos de índice com cotas negociadas em bolsa, conhecidos como ETFs, na sigla em inglês. Este tipo de produto é conhecido por investidores institucionais, mas ainda pouco conhecido por pessoas físicas, o que indica um potencial de crescimento, de acordo com o diretor. "Lá fora a pessoa física representa 50% da liquidez dos ETFs, mas no Brasil é menos de 10%", disse.

 

A bolsa pretende criar o ETF de um índice do setor financeiro, mas está aberta a sugestões de instituições financeiras interessadas na criação de outros índices. "Podemos acatar a sugestão, criar um novo índice e abrir concorrência", afirmou.

 

Os planos da BM&FBovespa para renda variável também incluem operações casadas de compras de opções com venda de Ibovespa futuro, conhecidas como operações de compra e venda de volatilidade. Hoje, este tipo de negócio está concentrado nas corretoras, mas poderá ser realizado no pregão eletrônico da bolsa. Este plano deve se concretizar em junho, após os investimentos necessários em tecnologia.

 

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