BNDES prevê crescimento de financiamentos para energia eólica

Banco liberou R$ 1,1 bilhão para financiar projetos de energia eólica; capacidade instalada do segmento triplicou desde 2009

Vinicius Neder / Rio ,

30 de julho de 2012 | 15h52

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) liberou R$ 1,1 bilhão em financiamentos para projetos de energia eólica neste ano, até quinta-feira, e prevê crescimento de 30% frente os R$ 2,2 bilhões do ano passado. 

Na esteira do sucesso da energia eólica, cuja capacidade instalada saltou três vezes de 2009 até agora, o chefe do Departamento de Fontes Alternativas de Energia do BNDES, Antonio Tovar, espera analisar ainda este ano o primeiro projeto de energia solar no banco de fomento.

Segundo o executivo, o mais provável é que o projeto seja de uma fábrica de placas solares, com a demanda impulsionada pelo modelo de geração distribuída. O grupo Tecnometal, que também atua em eólica e tem uma fábrica de painéis em Campinas, já foi credenciada na Finame, linha de crédito automática do BNDES para máquinas e equipamentos.

Na geração distribuída, consumidores de energia, como supermercados, shopping centers e até residências, instalam painéis solares em suas coberturas e, além de gerar eletricidade para consumo próprio, fornecem para o sistema de distribuição, abatendo do que pagam pela luz.

Em abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou o Sistema de Compensação de Energia, com regras para a geração distribuída. Com isso, segundo Tovar, o desenvolvimento da energia solar torna-se viável. A tendência é algumas empresas - inclusive distribuidoras - ficarem especializadas na instalação de unidades geradoras para consumidores interessados. "A solar hoje é a eólica há cinco anos", disse Tovar, em entrevista ao Estado.

Até 2009, o parque eólico brasileiro desenvolveu-se com subsídios do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). Naquele ano, o BNDES liberou apenas R$ 230 milhões em financiamentos. Dali em diante, a energia eólica tornou-se competitiva, com leilões regulares, atraindo uma cadeia de fornecedores. A capacidade instalada saltou de cerca de 500 megawatts (MW), em 2009, para em torno de 1.600 MW hoje. Se a previsão se concretizar, o BNDES liberará R$ 2,86 para o setor.

A energia contratada garantirá capacidade instalada de 8.100 MW até 2016, caso todos os projetos sejam concretizados. No fim deste ano, a capacidade deveria chegar a 3.000 MW, mas pode haver atrasos por falta de sistemas de transmissão. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), 600 MW dos 1.805 MW contratados no leilão de 2009 e previstos para este ano estão ameaçados pelo problema.

Com o crescimento do energia eólica, o País tem atualmente oito empresas com plantas de aerogeradores e componentes, em diferentes estágios, com capacidade de produzir equipamentos para instalar capacidade de 4.100 MW ao ano.

O BNDES apoia a instalação de fábricas, mas, segundo Tovar, a maior parte dos financiamentos vai para os geradores. O banco também investe via BNDESPar, tanto diretamente quanto por meio de fundos de investimentos. Atualmente, a BNDESPar detém fatias da Renova Energia e da Tecsis, fabricante de pás.

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