Renato S.Cerqueira/Futura Press
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Bolsa perde os 100 mil pontos depois de quase 2 meses; dólar fica abaixo dos R$ 4

Leilões anunciados pelo Banco Central ajudaram a manter a moeda americana em baixa no Brasil; Ibovespa teve dia de volatilidade, acompanhando mercado internacional

Monique Heemann, Paula Dias e Antonio Perez, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2019 | 11h53
Atualizado 16 de agosto de 2019 | 11h56

O temor de desaceleração global e com os desdobramentos da guerra comercial entre Estados Unidos e China provocou oscilação nos mercados nesta quinta-feira, 15. O Ibovespa fechou em queda de 1,20%, aos 99.056,91 pontos, abaixo do nível de 100 mil pontos pela primeira vez desde 19 de junho. Na máxima do dia chegou aos 101.014,41 pontos.

No câmbio, o alívio com divisas emergentes se ampliou à tarde e o dólar acabou o dia abaixo de R$ 4, com perda de 1,21%, sendo cotado a R$ 3,9901. As operações de leilão de moeda à vista entre os dias 21 e 29 de agosto, anunciadas na quarta pelo Banco Central após o fechamento, ajudaram adicionalmente a manter a moeda americana em baixa no Brasil.

Bolsa acumula perdas

Desde 19 de junho, quando o Ibovespa vinha se sustentando acima dos 100 mil pontos, chegando a mais de 105 mil em 10 de julho. Desde esse pico, a turbulência do mercado internacional vem refreando o avanço do índice para além desse patamar, mesmo com o cenário doméstico mais favorável. De lá para cá, a queda do índice é de 6,39%.

As Bolsas de Nova York foram a principal referência para o mercado brasileiro e tiveram desempenho igualmente volátil. A crise aberta nos mercados argentinos desde o resultado das prévias das eleições também esteve no radar.

Em evento do Santander em São Paulo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, minimizou as adversidades. Ele afirmou não ter nenhum receio de ser engolido pelo mercado internacional e que não teme o "balanceio" da economia argentina, nem a queda de um gigante lá fora.

De acordo com o ministro, a guerra comercial não vai afetar o Produto Interno Brasileiro (PIB) brasileiro e poderia, no máximo, causar alterações cambiais. Para ele, há muito espaço para a guerra entre os dois gigantes econômicos se estender, porque Estados Unidos e China medem forças para mostrar qual "tem o chifre mais comprido".

Em Nova York, depois de muito vaivém, o Dow Jones e o S&P 500 fecharam em alta, de 0,39% e 0,25%, respectivamente, e o Nasdaq, em baixa ligeira, de 0,25% . Destaque para o avanço de 6,11% nas ações do Walmart, que divulgou balanço melhor do que o esperado pelo mercado.

Além disso, a China voltou a ameaçar uma retaliação após o anúncio de novas tarifas a US$ 300 bilhões em bens exportados para os EUA. A notícia acentuou ainda mais a cautela na renda fixa, onde os juros dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) seguem sob forte pressão. O retorno da T-note de dez anos cedeu os 1,5% pontualmente e o do T-bond de 30 anos renovou mínima histórica, ficando abaixo de 2,0% pela primeira vez na história.

Dólar é afetado por nova estratégia do BC

Um movimento global de leve recuperação das moedas emergentes e a nova estratégia do Banco Central no mercado de câmbio tiraram o fôlego do dólar, que já começou o dia em queda, mas chegou à máxima de R$ 4,050. Apesar do recuo de 1,21% no pregão desta quinta, a moeda americana acumula alta de 1,26% na semana e avança 4,46% em agosto.

Operadores e analistas viram com bons olhos a nova estratégia de atuação do Banco Central, mas ressaltam que não há motivos para esperar uma valorização maior do real no curto prazo. O temor de recessão global deixa o mercado sensível a movimentos abruptos de aversão ao risco, que se traduzem em venda de ativos emergentes e compra de dólares.

"Tivemos um alívio pontual para moedas emergentes lá fora, com alta até do peso argentino, mas o quadro de guerra comercial pode se agravar e impulsionar o dólar, apesar da atuação do Banco Central", afirma o estrategista Jefferson Laatus.

"Ainda há muita pressão no câmbio, com aversão ao risco e saída de estrangeiros da bolsa. O BC vai suprir essa demanda, mas não dá para descartar que o dólar volte trabalhar acima de R$ 4,05", acrescenta Durval Corrêa, sócio-diretor da Via Brasil Serviços.

À exceção do rublo, o dólar amargou perdas em relação a todas as divisas de países emergentes ou exportadores de commodities nesta quarta-feira. Até a moeda argentina, abalada pela perspectiva de volta do kirchnerismo , pegou carona no movimento global de recuo da moeda americana. O dólar caiu mais de 5% e passou a ser negociado abaixo dos 60 pesos.

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