ADEK BERRY/AFP
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Bolsa sobe 1,7% e fecha acima de 93 mil pontos pela 1ª vez na história

No mercado cambial, o dólar teve nova queda e fechou no menor valor desde 26 de outubro de 2018

Simone Cavalcanti e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2019 | 11h47
Atualizado 10 de janeiro de 2019 | 12h51

Embalados pela perspectiva favorável de uma reforma da Previdência mais contundente, aliada a um dia de bom humor nos mercados internacionais, os investidores deflagraram ordens de compra nesta quarta-feira, 9, levando o Ibovespa a renovar máxima histórica por mais um fechamento consecutivo. O principal índice do mercado acionário brasileiro fechou aos 93.613,04 mil pontos, em alta de 1,72% com giro financeiro de R$ 16,4 bilhões. Na máxima do pregão, o recorde foi de 93.635,82 pontos.

No mercado de câmbio, o dólar teve novo dia de queda e fechou no menor valor desde 26 de outubro do ano passado, quando estava em R$ 3,65. A desvalorização refletiu principalmente a fraqueza da moeda americana no exterior, mas também foi influenciada por expectativas positivas do investidor doméstico. O real foi a divisa de país emergente que mais caiu perante o dólar, considerando uma cesta das 24 principais moedas mundiais. O dólar à vista fechou o dia em R$ 3,6833, com queda de 0,92%

Bolsa

Analistas notam que o movimento altista ocorre sem a presença maciça dos investidores estrangeiros, que ainda ensaiam a entrada na renda variável local. Segundo a B3, em janeiro, os investimentos de não-residentes acumulam saldo negativo de R$ 1,917 bilhão.

Alexandre Espirito Santo, economista da Órama Investimentos, nota que, em dólares, o Ibovespa já contabiliza alta de 12% apenas nos seis pregões deste ano - considerando os ganhos de 6,51% nominais e uma queda de 4,96% da divisa americana. "Se e quando os estrangeiros vierem vai haver alta importante do índice ao longo do ano." 

Do ponto de vista local, fundos de investimento multimercado e de ações compram posições com o noticiário apontando o que acham ser maior probabilidade de a reforma mais importante para o lado fiscal passar. O pregão teve início no positivo, refletindo as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, no sentido de as novas regras contemplarem a capitalização e outras medidas mais duras. Depois, a continuidade da aglutinação de partidos em apoio declarado à reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM). Os partidos que se juntaram ao bloco somam 247 deputados. Para ganhar em primeiro turno, Maia precisa da maioria absoluta dos votos (257). Recentemente, ele disse que a reforma da Previdência é sua prioridade.

Em meio ao positivismo do mercado local, as ações ordinárias do Banco do Brasil destoavam em queda das outras blue chips, fechando com recuo de 0,27%, a R$ 47,80. Os papéis Bradesco PN fecharam em alta de 1,72 e Itaú Unibanco PN em alta de 1,52% e as units do Santander avançaram 1,38%. Já as ações da Petrobras subiram mais de 2%.

Dólar

O dólar operou em queda durante todo o dia e já pela manhã caiu abaixo do nível de R$ 3,70. Foi a primeira vez que a moeda fechou abaixo desse nível desde 1º de novembro de 2018. Só em 2019, a moeda americana já caiu 5%. Operadores observaram entrada de capital externo, o que ajudou a retirar pressão no câmbio. A queda do risco-país, medido pelo Credit Default Swap (CDS), que recuou para 177 pontos, foi outro fator a contribuir para o desempenho positivo do real. As taxas do CDS foram negociadas nesta quarta-feira no menor nível desde abril do ano passado. 

"O dólar ficou fraco hoje no mundo inteiro", observa o gestor da Absolut Investimentos, Fabiano Rios. A fraqueza da moeda americana no exterior, aliada a notícias locais favoráveis, ajudou a alimentar o apetite por ativos de risco do Brasil, sobretudo pelo investidor local, ressalta ele. Entre os estrangeiros, porém, o clima é um pouco mais cauteloso com o Brasil.

O banco JPMorgan reiterou a recomendação de performance "acima da média do mercado" ('overweight') para a bolsa brasileira, mas alertou para o "risco de complacência" com o país, afirmando que é preciso manter o "olho aberto na política e no risco de execução" da reforma da Previdência.

O banco afirma que Bolsonaro está indo no caminho certo, com uma agenda liberal de reformas, privatizações e melhora do ambiente para se fazer negócios no Brasil. Na terça-feira à noite, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o objetivo é enviar uma reforma da Previdência mais profunda ao Congresso, com maior economia fiscal. 

No final do dia, já perto do fechamento, a divulgação da ata do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) fez o dólar à vista acelerar um pouco o ritmo de queda. O documento mostra que os dirigentes pretendem ser "pacientes" no processo de elevação de juros na maior economia do mundo. Para os analistas da Continuum Economics, a ata mostrou os dirigentes do Fed dispostos a fazer um pausa, na medida em que não há pressões inflacionárias nos EUA. Este movimento tem ajudado a enfraquecer o dólar na economia mundial. A expectativa pela resolução dos conflitos comerciais entre a China e os Estados Unidos também tem contribuído para a queda do dólar no exterior e por elevar a busca por risco dos investidores.

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