ADEK BERRY/AFP
ADEK BERRY/AFP

Dólar cai para R$ 3,73 e cotação é a menor desde novembro

Noticiário político e leilões do Banco Central marcados para amanhã fizeram a moeda recuar 1,47%, na contramão do exterior; Bolsa fechou perto da estabilidade, em alta de 0,29%

Paula Dias, Karla Spotorno, O Estado de S. Paulo

08 de março de 2016 | 14h38

 SÃO PAULO - O dólar andou na contramão da tendência internacional e fechou em queda de 1,47% ante o real nesta terça-feira, 8, a R$ 3,7379 no mercado à vista, menor cotação desde 24 de novembro de 2015. A queda ocorreu a despeito da aversão ao risco que predominou no mercado externo, fazendo o dólar subir frente à maioria das divisas de países emergentes. Dois fatores contribuíram para esse descolamento: o noticiário político desfavorável ao governo e leilões de linha cambial (venda de dólares com compromisso de recompra) anunciados para amanhã pelo Banco Central.

O dólar chegou a subir pontualmente nos primeiros minutos de negociação, mas inverteu a tendência ainda na primeira meia hora. Pesaram notícias como a condenação do empresário Marcelo Odebrecht a 19 anos e 4 meses de prisão e as especulações de que os donos da Odebrecht e da OAS negociam delação premiada, no âmbito da Operação Lava Jato. Além disso, a cúpula do PMDB no Senado dá sinais de divisão, com alguns integrantes reavaliando a posição de apoio, por entender que a situação governo vem se agravando nos últimos dias. O noticiário contou ainda com informação de que a empreiteira OAS pagou por uma palestra do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Chile antes da formalização do contrato.

As notícias reacenderam a percepção de que são crescentes as chances de saída de Dilma Rousseff do governo, o que agrada grande parcela dos investidores, que apostam na ruptura como forma de destravar os nós da economia do País. Com isso, o dólar sustentou a tendência de queda mesmo com o cenário internacional adverso. Entre as notícias negativas estiveram o resultado fraco da balança comercial chinesa e a nova queda dos preços do petróleo, alimentada pela falta de consenso entre os países produtores.

À tarde o Banco Central anunciou que realizará amanhã dois leilões de linha (venda com compromisso de recompra), no montante de até US$ 2 bilhões. A instituição informou apenas que se trata de dinheiro novo no mercado, e não rolagem, como já havia anunciado para os meses de fevereiro e março. 

No entanto, o Broadcast, serviço de informações da Agência Estado, apurou que a ação do BC teve como objetivo administrar a liquidez do mercado, uma vez que há interesse por parte de alguns investidores de deixar o Brasil. Para isso, eles precisam de uma contraparte das instituições financeiras para liquidarem suas posições. O anúncio da realização dos leilões confirma rumores que circularam no mercado na última semana, de que o BC consultava bancos dealers para avaliar a necessidade da oferta de linha. 

Bolsa. A terça-feira foi mais um dia de forte giro financeiro para a Bolsa, quase o dobro da média diária de fevereiro deste ano e de março de 2015. O volume chegou a R$ 11,467 bilhões. Uma boa parte desse giro, na avaliação do chefe de análise da Planner Corretora, Mario Roberto Mariante, vem do capital estrangeiro. "Para o estrangeiro, o nosso mercado está barato, considerando a relação real para dólar e o preço do papel. Mas não há fundamentos para acreditar num mercado de alta consistente de longo prazo", afirmou Mariante.

Como observou um operador de renda variável, a pressão de alta no Ibovespa hoje veio das ações que caíram na véspera e vice-versa. O destaque de queda foi a Vale, que chegou a subir dois dígitos durante o pregão anterior diante da valorização extraordinária do minério de ferro (+19,5%) na segunda-feira. Hoje, a mineradora foi uma das maiores quedas na carteira Ibovespa. A ON (ação com direito a voto) caiu 14,51% e a PNA (preferência por dividendos), -12,05%. O setor siderúrgico - leia-se CSN, Usiminas, Gerdau e Bradespar, acionista da mineradora - acompanhou e caiu em peso. 

Na avaliação de Figueredo, um fato que pesou contra o setor foi o resultado ruim da balança comercial chinesa. As exportações da China, em termos de dólar, caíram pelo oitavo mês consecutivo em fevereiro (-25,4%), na comparação com o mesmo período do ano passado. O superávit comercial da China recuou em fevereiro para US$ 32,59 bilhões, de US$ 63,29 em janeiro, ficando aquém das estimativas de superávit de 51,25 bilhões. 

A pressão para cima veio, especialmente, das ações de grandes bancos. "Os bancos estão responsáveis pela alta hoje", afirma Figueredo. Depois de penalizada em boa parte do dia de ontem, a ON do Banco do Brasil, por exemplo, encerrou a terça-feira em alta de 10,90%, a maior variação entre os papéis da carteira Ibovespa. A PN do Itaú Unibanco teve alta de 2,24%, e a do Bradesco, +0,50%. 

Mais conteúdo sobre:
BovespaValePetrobrásDólar

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.