Werther Santana/ Estadão
Werther Santana/ Estadão

Bolsa cai 0,69%, terceira baixa consecutiva; dólar fecha em baixa de 0,29%, a R$ 4,6767

Inflação alta nos Estados Unidos e comentários do Fed influenciaram a performance do principal índice da Bolsa brasileira

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2022 | 19h03

O Ibovespa teve sua terceira queda consecutiva nesta terça-feira, 12, de 0,69%, aos 116.146,86 pontos. O dia foi marcado por nova leitura sobre a inflação ao consumidor nos Estados Unidos, e por comentários de Lael Brainard, integrante do Federal Reserve (banco central norte-americano), a quem o mercado sempre escuta com atenção.

A inflação ainda bem alta nos Estados Unidos, e o efeito que produzirá sobre o comportamento do Fed nos próximos meses, combina-se, no Brasil, à incerteza sobre a extensão do ciclo de alta da Selic, iniciado bem mais cedo do que nas economias centrais e que parecia, até há pouco, perto de conclusão um consenso que parece ter ficado embaralhado recentemente, em contexto de inflação mais forte em economias como a americana, a chinesa e mesmo a europeia, sob pressão das commodities.

"A inflação cuidará de si mesma se os riscos geopolíticos melhorarem. E as expectativas devem permanecer, de que o Fed não terá que apertar agressivamente a política (monetária) e enviar a economia dos EUA a uma recessão", diz, em nota, Edward Moya, analista de mercado da OANDA, em Nova York.

As altas tímidas em Nova York hoje ajudaram a empurrar o Ibovespa para o campo negativo. O índice também não conseguiu se beneficiar da boa recuperação do petróleo, que teve queda de cerca de 4% nesta segunda, 11. Tanto a referência norte-americana como a global retomaram os três dígitos, com o barril do WTI a US$ 100 e o do Brent a US$ 104 no fim da tarde, uma alta de 6%.

Mesmo com o cenário positivo para a commodity, as ações da Petrobras não conseguiram acompanhar o movimento, com as ações ordinárias subindo apenas 0,11% e as preferenciais caindo 0,29%. Entre outros setores de peso na B3, o dia foi moderadamente positivo para a siderurgia, com CSN subindo 0,86% e Usiminas, 0,62%. A Vale, contudo, recuou 0,67%. O movimento de queda também atingiu grandes bancos, como Itaú (-1,77%) e Santander (-1,32%).

As três maiores altas do Ibovespa no dia ficaram com Cogna (+4,49%), Cielo (+4,03%) e Ultrapar (+3,21%). Já as quedas mais expressivas foram as dos papéis de Banco Inter (-8,54%), Méliuz (-5,00%) e Marfrig (-4,73%).

Na semana, o Ibovespa recua 1,84% e, no mês, 3,21%, reduzindo os ganhos do ano a 10,80%.

Dólar em queda

Embora  tenha reduzido bastante o ritmo de queda ao longo da tarde de hoje, devido à piora dos ativos de risco e o fortalecimento da moeda norte-americana no exterior, o dólar emendou o segundo pregão seguido de perdas ante o real, cotado a R$ 4,6767, uma baixa de 0,29%.

Os negócios no mercado de câmbio foram pautados pelas especulações em torno do grau e da intensidade do ajuste monetário nos Estados Unidos, em meio ao prolongamento da guerra na Ucrânia e a dúvidas sobre o ritmo de crescimento e inflação na China, que enfrenta novo surto de Covid-19.

Operadores voltaram a relatar entrada de fluxo estrangeiro, dada a atratividade das taxas de juros locais, e fechamento de câmbio por exportadores.

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