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A R$ 3,83, dólar registra a maior cotação do ano

Na Bolsa, a ação da Vale fechou em alta no 1.º pregão após troca de comando na empresa

Altamiro Silva Junior, Paula Dias e Wagner Gomes, O Estado de S.Paulo

06 de março de 2019 | 15h23
Atualizado 06 de março de 2019 | 21h33

O dólar fechou a quarta-feira, 6, na maior cotação do ano, a R$ 3,8347, menor apenas que o último fechamento de 2018 (em 28 de dezembro), que ficou em R$ 3,8755. Em dia de agenda doméstica fraca, o câmbio foi principalmente pressionado pelo exterior.

A quarta-feira foi marcada pelo aumento da aversão ao risco no mercado financeiro internacional e fortalecimento do dólar ante as moedas de emergentes, por conta de renovadas preocupações sobre a desaceleração da economia mundial e com os investidores na expectativa pelos desdobramentos das negociações comerciais entre a China e os Estados Unidos. Com isso, no Brasil o dólar à vista subiu 1,41%, a segunda maior alta nos emergentes, atrás apenas da Argentina (+2,30%).

A Bolsa manteve o tom negativo na volta do feriado de carnaval e o índice Bovespa fechou em leve baixa, ainda no patamar dos 94 mil pontos. Com a agenda doméstica esvaziada, coube ao cenário internacional determinar o viés de baixa do índice, em meio a preocupações sobre o ritmo da economia mundial. Com as Bolsas de Nova York em queda generalizada e o dólar avançando firmemente ante o real, o Ibovespa fechou com perda de 0,41%, aos 94.216,87 pontos.

Vale

A mineradora Vale foi na contramão de boa parte dos papéis do índice Ibovespa e terminou o pregão em alta, o primeiro após a troca de comando da companhia, anunciada no último sábado. Operadores disseram que a mudança foi apenas uma confirmação do que o mercado já esperava.

Eduardo Bartolomeo, de 54 anos, foi anunciado diretor-presidente interino em substituição a Fabio Schvartsman, que pediu ao conselho afastamento temporário após uma recomendação da força-tarefa que investiga a tragédia de Brumadinho, que deixou um rastro de morte e destruição na cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. Até agora, Até agora, 186 pessoas morreram e outras 122 estão desaparecidas.

Segundo Glauco Legat, analista da Necton Corretora, o dia foi positivo para a Vale porque todos esperavam a substituição de Schvartsman desde o episódio de Brumadinho. “Bartolomeo não é um nome tão conhecido no mercado quanto o seu antecessor, mas pesa a seu favor o lado operacional. O evento em Brumadinho e mesmo o de Mariana mostram falhas operacionais, com a falta de um controle eficiente e o atendimento da segurança de uma forma plena. Assim, a saída de Schvartsman e a chegada de Bartolomeo está sendo bem vista”, disse o analista.

Analistas de instituições financeiras como Itaú BBA e XP Investimentos também minimizaram a mudança, com a percepção de que a troca já estava parcialmente precificada. Além disso, eles mantiveram a leitura de que os fundamentos da empresa continuam favoráveis ao investidor.

Os papéis ordinários fecharam em alta de 2,80%, a R$ 48,05. Depois de dois dias em alta, as ADRs negociadas em Nova York encerraram em baixa de 1,34%, a US$ 12,49. Os papéis acumularam ganhos na segunda e na terça após a nova previsão do banco Morgan Stanley para o preço do minério de ferro em 2019, para US$ 81 a tonelada.

CSN

As ações da siderúrgica CSN, do empresário Benjamin Steinbruch, fecharam em alta de 9,39%, a R$ 15,15, impulsionadas pela valorização dos preços internacionais do minério de ferro e também pela possibilidade de redução da dívida da companhia nos próximos três anos, com a venda de ativos. Na segunda-feira, o banco Morgan Stanley passou a recomendar a compra das ações da siderúrgica. A companhia contratou Citigroup para estruturar uma venda antecipada de US$ 1 bilhão em minério de ferro.

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