Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsa cai 10,87% em maio e tem pior mês desde setembro de 2014

Mesmo fechando com valorização de 0,9% nesta quarta-feira, 30, queda mensal do Ibovespa é a maior desde período que antecedeu reeleição de Dilma Roussef

Paula Dias e Altamiro Silva Júnior, O Estado de S.Paulo

30 Maio 2018 | 18h09

A percepção de deterioração do ambiente doméstico, com a economia fraca e as incertezas eleitorais, agravada pela greve dos caminhoneiros, levou o Ibovespa a perder 10,87% no acumulado de maio. Nesta quarta-feira, 30, véspera de feriado, o principal índice de ações do País terminou com valorização de 0,90%, aos 76.753,61 pontos.

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O dólar, na contramão de seus pares emergentes, avançou 0,06%, a R$ 3,7327. Com o aumento da aversão ao risco, o dólar avançou 6,52% neste mês - maior ganho mensal desde setembro de 2015. Contribuiu para a fuga de investidores a perspectiva de intensificação do ritmo de alta dos juros americanos.

Bolsa. É a maior queda mensal da Bolsa desde setembro de 2014, ocorrida a dias da eleição presidencial daquele ano, quando Dilma Rousseff (PT) foi reconduzida a um segundo mandato ao derrotar Aécio Neves (PSDB).

"A alta da Bolsa foi novamente uma reação natural do mercado, com gestores fazendo ajustes em suas carteiras na virada do mês. Depois do movimento forte de queda, algumas ações voltaram a mostrar algum charme aos olhos dos investidores", disse Ariovaldo Ferreira, gerente de renda variável da Hcommcor.

Os destaques positivos do dia foram as ações de bancos, que mantiveram o Ibovespa no azul até o fechamento. À exceção dos papéis do Bradesco, todos os outros terminaram o dia em alta, com Banco do Brasil ON (+6,52%) na liderança. Segundo Ferreira, os papéis do banco foram impulsionados pelo comunicado do Tesouro Nacional informando que concluiu na terça-feira , 29, o programa de venda de ações do BB que estavam no Fundo Soberano do Brasil.

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Ao longo de todo o programa, foram vendidas 105 milhões de ações, somando R$ 3,6 bilhões. No acumulado de maio, os bancos sofreram perdas expressivas. Com resultados trimestrais positivos, mas que não chegaram a empolgar os investidores, esses papéis sofreram com a aversão ao risco ao longo das semanas, com temores de delações premiadas e com o risco político. Os papéis do Banco do Brasil caíram 16,77% no mês, os preferenciais de Itaú Unibanco perderam 15,72% e Bradesco ON recuou 18,21%.

As ações da Petrobrás, que estiveram no centro das atenções nos últimos dias, sofreram instabilidade no pregão desta quarta-feira, refletindo não apenas os desdobramentos da greve dos caminhoneiros, mas também o início da paralisação de advertência iniciada pelos petroleiros da estatal.

Apesar da forte alta dos preços do petróleo no mercado internacional, Petrobras PN teve queda de 1,66%, acumulando perda de 17,23% em maio. Petrobras ON caiu 0,22%, com desvalorização de 9,78% no mês. "A greve pode ter perdido força, mas o mal estar não se dissipou. Ainda pairam dúvidas sobre como será a política de preços da Petrobrás e as declarações dos próprios integrantes do governo ainda deixam o mercado com a pulga atrás da orelha", disse Luiz Roberto Monteiro, operador da mesa institucional da Renascença Corretora.

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Um dos ruídos citados pelo profissional foi a entrevista do presidente Michel Temer na terça-feira à noite, na qual ele afirma não querer alterar a política da estatal, mas depois refere-se à possibilidade de reexaminá-la. Como a fala gerou dúvidas, o Palácio do Planalto divulgou nota reiterando que o governo vai preservar a política de preços da Petrobras.

Na segunda-feira, 28, os investidores estrangeiros retiraram R$ 782,386 milhões da B3. Naquele dia, o Ibovespa fechou em forte baixa de 4,49%, no ápice do mau humor do investidor com a greve dos caminhoneiros e as concessões feitas pelo governo para tentar acabar com o movimento.

Em maio, o saldo acumulado está negativo em R$ 6,455 bilhões. No ano, em R$ 2,033 bilhões. Ferreira, da HCommcor, afirma que a única certeza para junho é que o mês deve continuar a mostrar volatilidade, dadas as muitas variáveis que estão na mesa. Além de todas as questões domésticas, nos próximos dias haverá nova reunião do Federal Reserve, da qual se espera aumento das taxas de juros nos Estados Unidos.

Dólar. Para o sócio e gestor da Absolute Invest, Roberto Serra, o mercado no exterior foi bem nesta quarta-feira e, não fosse pelas incertezas geradas pela paralisação dos caminhoneiros, o dólar poderia ter caído ante o real também. Ele avalia que, nos últimos dias, por volta de 90% da variação da moeda no Brasil tem sido explicada por fatores domésticos e só 10% por fatores externos. "A greve deu uma amenizada, mas os desdobramentos para resolver a situação foram ruins", disse ele.

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O governo teve que ceder para atender a demanda dos caminhoneiros e bancos, como o Goldman Sachs, revisaram para baixo suas projeções do Produto Interno Bruto (PIB) para 2018. Na avaliação do economista para a América Latina da Capital Economics, Edward Glossop, a greve paralisou a economia por 10 dias, mas a experiência mostra que os distúrbios causados na atividade por paralisações tendem a se dissipar quando a greve termina. "É possível que o impacto no PIB seja menor do que o antecipado."

Nos leilões de swap, o Banco Central vendeu nesta quarta-feira pela manhã o lote integral de 15.000 contratos e injetou mais US$ 750 milhões em dinheiro "novo" no mercado. Segundo um operador, em apenas duas semanas, foram US$ 7 bilhões em recursos, que ajudaram a amenizar as oscilações do mercado, embora alguns profissionais argumentem que o BC deveria ser mais agressivo. Para junho, o BC sinalizou que vai continuar com a oferta dos contratos adicionais de swap, mas os especialistas preveem um real pressionado.

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