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Bolsa cai 8,33% em agosto e tem pior mês do ano

Sucessão de más notícias impediu Ibovespa de sustentar o nível de 50 mil pontos; nesta segunda-feira, índice fechou com mais de 1% de queda, com a previsão de déficit no Orçamento de 2016

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2015 | 18h02

Agosto foi mesmo o mês do desgosto para a Bolsa, que teve seu pior desempenho mensal de 2015, ao cair 8,33%. A sucessão de más notícias impediu o principal índice à vista de sustentar o patamar de 50 mil pontos com o qual abriu o mês. Nesta segunda-feira, a Bovespa terminou na casa dos 46 mil pontos e mais de 1% de queda. A má notícia que levou a uma leva de ordens de vendas foi o Orçamento de 2016, enviado ao Congresso com uma previsão de déficit de R$ 30,5 bilhões. 

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 1,12%, aos 46.625,52 pontos. Na mínima, marcou 45.570 pontos (-3,36%) e, na máxima, 47.151 pontos (-0,01%). Com a queda de 8,33% de agosto, acumula perda de 6,76% no acumulado de 2015. O giro financeiro totalizou R$ 9,211 bilhões, o maior do mês, tirando pregões com eventos excepcionais, como exercício.

O mercado voltou do final de semana com a notícia de que o governo decidiu enterrar a proposta de recriação da CPMF, devido às resistências políticas e do contribuinte. Em função disso, deu transparência à proposta orçamentária para o ano que vem ao apresentar que há um rombo nas contas, de R$ 30,5 bilhões, enviado no texto sem que houvesse uma sugestão para equilibrar os números. Assim, o déficit fiscal previsto para o ano que vem é de 0,5% - ante proposta inicial de superávit de 0,7%, já revisada dos 2% sugeridos inicialmente. 

O mercado não gostou por dois motivos. Primeiro, pela deterioração das contas. Segundo, porque sinalizou uma perda de força do ministro Joaquim Levy, que perseguia um superávit para o próximo ano. 

Durante todo o dia o mercado trabalhou mau humorado à espera da confirmação dos números e também após com a notícia de que o governo da China não vai comprar ações em larga escala para sustentar o mercado. 

No fechamento em Nova York, as bolsas caíram influenciadas pela China e também por declarações do vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, sobre o início do aperto dos juros no país. 

O Dow Jones fechou em baixa de 0,69%, aos 16.528,03 pontos, o S&P recuou 0,84%, aos 1.972,18 pontos, e o Nasdaq teve perda de 1,07%, aos 4.776,51 pontos. 

Na Bovespa, as ações de Vale e Petrobras, que caíam mais cedo, viraram para cima à tarde em função da recuperação das commodities. O contrato do petróleo para outubro, por exemplo, disparou 8,8%, para US$ 49,20 o barril. E o preço do minério de ferro subiu 5,3% no mercado à vista em agosto, para US$ 55,7 a tonelada seca. 

Vale ON subiu 3,52% e Vale PNA, 3,21%. Petrobras ON fechou com ganho de 3,31% e Petrobras PN, de 2,11%. Os bancos foram a principal porta de saída dos investidores. Bradesco PN, -4,08%, Itaú Unibanco PN, -3,56%, BB ON, -5,06%, Santander unit, -1,50%.

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