Bolsa cai após pesquisas mostrarem avanço de Dilma na eleição

Com a Bolsa brasileira de volta ao patamar de um mês atrás, quando um acidente aéreo resultou na morte de Eduardo Campos, a percepção dos especialistas é que os investidores redobraram a cautela em relação ao cenário eleitoral

Silvana Rocha, O Estado de S. Paulo

24 de setembro de 2014 | 12h45

SÃO PAULO - A Bovespa recua desde a abertura, pressionada pelo mau humor com as últimas pesquisas eleitorais, mas o declínio se ampliou paralelamente à abertura com ligeiras altas das bolsas em Nova York. Em alguns momentos da manhã, o Ibovespa chegou a perder o patamar de 56 mil pontos. Às 12h50, no entanto, o Ibovespa desacelerava a queda (-0,16%), aos 56.483 pontos. A alta das ações da Vale e a própria sequência de cinco quedas acumuladas em 4,35% ajudam a limitar o ajuste negativo. 

Em Nova York, o Dow Jones subia 0,52%; o S&P500 ganhava 0,44%% e o Nasdaq avançava 0,64%.

Os investidores no mercado doméstico reagem sobretudo aos números das pesquisas eleitorais divulgadas ontem à noite, o que concentra as atenções dos negócios locais nas ações do chamado "kit eleição". Divulgada ontem à noite, a pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo mostrou uma ampliação da vantagem nas intenções de voto na presidente Dilma frente à principal adversária, Marina Silva (PSB), no primeiro turno, reforçando um empate técnico entre as duas candidatas na segunda rodada do pleito. Já o outro levantamento, do Vox Populi/TV Record, surpreendeu ao mostrar liderança da petista sobre a ex-senadora no segundo turno, com 46% contra 39% - fora, portanto, da margem de erro.

Com a Bolsa brasileira de volta ao patamar de um mês atrás, quando um acidente aéreo resultou na morte do então candidato do PSB, Eduardo Campos, a percepção dos especialistas é que os investidores redobraram a cautela em relação ao cenário eleitoral. 

Em meio às apostas sobre o pleito, também chama atenção a larga posição "comprada" dos investidores estrangeiros, seja no mercado à vista ou no mercado futuro. Com o saldo de capital externo positivo em pouco mais de R$ 21 bilhões no ano até a última sexta-feira (dia 19), os "gringos" chegaram a um superávit recorde de aportes na Bolsa brasileira. No mercado futuro, os estrangeiros estão comprados em Ibovespa com pouco mais de 60 mil contratos em aberto, o que resulta em outros R$ 3,6 bilhões de aposta na alta do derivativo, considerando-se a pontuação no fechamento de ontem do contrato futuro para outubro.

Há pouco, o Banco Central informou os dados do setor externo. O relatório mostrou déficits em conta corrente de US$ 5,489 bilhões em Agosto, de US$ 54,818 bilhões no acumulado do ano até agosto (3,66% do pib). A autoridade monetária mantém a projeção de déficit em C/C em 2014 em US$ 80 Bilhões. Mas sua estimativa para a balança comercial em 2014 foi alterada, de us$ 5 bilhões para US$ 3 bilhões e também previsão para exportações em 2014, de US$ 245 bilhões para US$ 240 bilhões. O IED somou US$ 6,840 bi em agosto e US$ 42,001 bi no acumulado do ano até agosto (2,77% do PIB). 

No exterior, a maior apreensão se dá quanto ao início do processo de normalização monetária nos Estados Unidos, o que desloca o foco dos negócios no dia para novos discursos de dirigentes do Federal Reserve: Charles Evans (Chicago), Loretta Mester (Cleveland) e Esther George (Kansas City). Na agenda de indicadores, às 11 horas, saem as vendas de moradias novas no país em agosto. Além disso, os investidores mostram-se mais cautelosos com os ataques aéreos ordenados pelo presidente norte-americano, Barack Obama, na Síria, dando início a mais uma longa guerra.

Já o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, reforçou mais cedo hoje que está pronto para agir novamente, a fim de trazer a inflação na zona do euro à meta de 2%. Na Alemanha, o índice Ifo de sentimento das empresas atingiu em setembro o menor nível desde abril de 2013, ao cair mais que o esperado, o que emite sinais frágeis sobre a maior economia da região da moeda única. 

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