Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Bolsa cai 2,6% e dólar fecha acima de R$ 3,73 com cenário exterior ruim

Investidores estão atentos à situação fiscal da Itália, com a saída do Reino Unido da União Europeia e com a crise diplomática na Arábia Saudita após assassinato de jornalista

Altamiro Silva Junior, Paula Dias e Niviane Magalhães, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2018 | 12h46
Atualizado 24 de outubro de 2018 | 21h02

O cenário externo fez o dólar subir 1% nesta qiarta-feira, 24, e a Bolsa de São Paulo cair 2,62%. O cenário eleitoral teve pequena participação no resultado do mercado. O movimento de aversão ao risco se ampliou na reta final da sessão, com as Bolsas renovando mínimas sucessivas e o dólar intensificando a alta. Foi o segundo dia consecutivo em que o pessimismo derrubou o mercado global.

Em Nova York, os índices Dow Jones e S&P 500 terminaram em baixa de 2,41% e 3,09%, respectivamente, apagando os ganhos do ano, enquanto o Nasdaq recuou 4,43%. Além das preocupações com o crescimento global, a questão orçamentária na Itália e as difíceis negociações sobre o Brexit, azedou ainda mais o humor dos investidores o envio de pacotes suspeitos a lideranças democratas e endereços como a Casa Branca e a sede da CNN, o que foi classificado por autoridades americanas como atos terroristas.

Contribuiu ainda para o ambiente adverso o Livro Bege, do Federal Reserve, que voltou a reforçar que a atividade econômica dos Estados Unidos está forte, o que abre espaço para mais aumentos de juros no país. Com a maior busca por segurança, os investidores migraram para os papéis do Tesouro dos EUA, considerados os papéis mais seguros do mundo, e os rendimentos caíram.

Dólar

A quatro dias da eleição, o cenário externo seguiu ditando o ritmo das oscilações no mercado doméstico de câmbio e o dólar à vista fechou no maior patamar dos últimos oito pregões, a R$ 3,7382, em alta de 1%. O noticiário político continuou no radar das mesas de operação e causou pela manhã certo mal estar o aumento da rejeição de Jair Bolsonaro (PSL) na última pesquisa do Ibope.

A forte migração dos investidores de ativos de risco para os mais conservadores derrubou as bolsas de valores de todo o mundo e não poupou o mercado brasileiro, que registrou expressivas perdas. O Índice Bovespa chegou a ensaiar uma alta pela manhã, mas logo sucumbiu à onda vendedora vinda do exterior, terminando o dia aos 83.063,56 pontos, em queda de 2,62%.

Para Marcio Cardoso, sócio-diretor da Easynvest, há grandes dúvidas sobre as perspectivas para a economia mundial e não se sabe qual o impacto para países emergentes. Ao mesmo tempo, diz, o mercado não sabe quais serão os primeiros passos do novo governo, que ao que as pesquisas indicam será de Jair Bolsonaro (PSL).

“Há muitas dúvidas e desafios para 2019. Lá fora temos briga comercial, crises na Europa, Brexit. Por aqui, não saberemos quais medidas serão tomadas e que apoio o novo governo terá no Congresso. Se o novo governo conseguir encaminhar as medidas necessárias, é possível que o mercado brasileiro consiga avançar, apesar das questões externas”, disse.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.