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Bolsa cai e dólar volta a subir com fluxo menor de recursos do exterior

Moeda fechou a R$ 3,14, também foi influenciada pelo cenário externo, com investidores atentos às eleições nos EUA; Bovespa teve leve queda de 0,06%, também afetada pelo exterior

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

26 de outubro de 2016 | 18h43

O dólar comercial à vista terminou os negócios nesta quarta-feira, 26, em alta de 1,12%, aos R$ 3,1433, em um movimento de correção depois de dois dias de quedas, influenciadas pela forte entrada de recursos do exterior no País por conta do programa de repatriação de recursos mantidos no exterior. O cenário externo também influenciou os movimentos tanto no mercado de câmbio quanto no de ações. Assim, a Bovespa fechou em queda de 0,06%, aos 63.825,68 pontos.

Os investidores estavam à espera de definições da política monetária e eleições nos Estados Unidos. O Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) reúne-se nos próximos dias 1º e 2 de novembro, embora o mercado aposte que a elevação da taxa básica do país deverá acontecer apenas em dezembro. No dia 8 do mesmo mês, acontece a eleição presidencial do país.

No cenário doméstico, o BC informou na segunda-feira, 24, que não anularia integralmente os swaps tradicionais (equivalente à venda futura de dólares) com vencimento em 1º de novembro diante do forte fluxo positivo esperado com a regularização de recursos brasileiros no exterior, cujo prazo termina em 31 de outubro.

O BC vendeu nesta manhã integralmente os 5 mil contratos de swap cambial reverso, equivalente à compra futura de dólares e que tem sido usado para reduzir o estoque de swap tradicional. Do total, nenhum contrato para 1º de novembro foi vendido.

O mercado tinha expectativa de que o ingresso de fluxo de recursos poderia inverter a trajetória da moeda ao longo do dia, mas não foi o que aconteceu. O movimento comprador falou mais alto sessão e acabou ofuscando a entrada de recursos externos.

Na véspera, o BC informou que houve entrada líquida de quase 1,6 bilhão de dólares na conta financeira ---por onde passam investimentos diretos, em portfólio e outros-- só nos últimos três dias até o dia 21 passado por conta do programa de regularização. No mês, o fluxo cambial total estava positivo em 2,531 bilhões de dólares.

Mercado de ações. O dia predominantemente negativo no mercado externo foi determinante para o desempenho da Bolsa. Do lado doméstico, o noticiário corporativo e a temporada de balanços geraram movimentos independentes de ações específicas. Permaneceu ainda certa cautela com os riscos de delações premiadas de Eduardo Cunha e executivos da Odebrecht.

O Índice Bovespa abriu em baixa, chegou a cair 1,23% e terminou o dia com recuo de 0,06%, aos 63.825,68 pontos. Divididas entre o noticiário corporativo amplamente positivo e a queda dos preços do petróleo, as ações da Petrobrás enfrentaram volatilidade, mas fecharam com altas de 1,27% (ON) e de 0,56% (PN). As da Vale seguiram em alta firme durante todo o dia (+1,97% na ON e +1,86% na PNA), refletindo o otimismo com o setor como um todo e também com os resultados da empresa, que serão divulgados amanhã.

Os balanços mais importantes até agora não comprometeram o otimismo do investidor. Os resultados do Santander apontaram lucro líquido gerencial de R$ 1,884 bilhão no terceiro trimestre, com alta de 10,3% na comparação com o mesmo período do ano passado. As units do banco reagiram com alta e terminaram o dia com ganho de 0,48%, destoando do fraco desempenho das demais ações do setor financeiro. O próximo banco a divulgar resultado trimestral será o Itaú Unibanco, na próxima segunda-feira, 31.

Entre as ações que compõem a carteira teórica do Ibovespa, a maior queda ficou com JBS ON, que despencou 11,45% depois que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vetou a proposta de reorganização societária da empresa. Marfrig ON acompanhou o desempenho da concorrente e caiu 4,17%. Mesmo com três baixas consecutivas, o Ibovespa ainda conserva alta de 9,35% em outubro e de 47,24% no acumulado do ano. O volume de negócios totalizou R$ 9,11 bilhões, próximo da média de outubro.  /COM REUTERS

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