Olivier Douliery/ AFP
Olivier Douliery/ AFP

Bolsa cai mais de 1% e dólar sobe para R$ 3,13 com turbulência nos EUA

Temor de que Donald Trump não tenha força para implementar plano de governo afetou mercados

Reuters

17 de maio de 2017 | 17h50

Depois de cair nos seis pregões anteriores e ir abaixo de R$ 3,10, o dólar fechou a quarta-feira em alta, acompanhando o cenário menos otimista no exterior diante da turbulência política nos Estados Unidos, que alimentou temores de que o presidente Donald Trump possa não ter força para implementar seus planos econômicos e tributários. 

A moeda americana fechou os negócios em alta de 1,19%, a R$ 3,1340. A Bolsa também reagiu e encerrou em queda de 1,67%, aos 67.540,25 pontos, em um movimento de realização de lucros após seis pregões seguidos de alta.

O movimento de busca por proteção se estendeu pelos mercados financeiros internacionais nesta sessão após notícias de que Trump pediu ao ex-chefe do FBI James Comey para encerrar a investigação da agência sobre os laços entre o antigo conselheiro da segurança da Casa Branca Michael Flynn e a Rússia. Além disso, ele foi acusado de ter passado informações confidenciais à Rússia.

"Trump perde poder de fogo nas negociações com o Congresso", afirmou o economista da corretora Guide Ignácio Crespo Rey.

No exterior, o dólar caía ante uma cesta de moedas, mas subia ante divisas de países emergentes, como o rand sul-africano e os pesos chilenos e mexicano. "O mercado começa a colocar em xeque o que ele prometeu nas eleições", afirmou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

O lado doméstico esteve em segundo plano nesta sessão, embora o mercado continuasse entusiasmado com a perspectiva de aprovação da reforma da Previdência. "As notícias recentes têm sido mais positivas, o governo está avançando nas negociações, o presidente (Michel) Temer tem bom diálogo com o Congresso e vem concedendo medidas", afirmou Crespo Rey.

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Na avaliação de alguns profissionais, no entanto, é importante o governo não ceder mais na reforma, para não desfigurar totalmente o texto e azedar os ânimos dos investidores. Na véspera, o governo assinou medida provisória com concessões aos débitos dos municípios e Estados com o INSS.

O Banco Central vendeu integralmente a oferta de até 8 mil swaps cambiais tradicionais - equivalentes à venda futura de dólares - para rolar os contratos que vencem em junho, que totalizam US$ 4,435 bilhões. Ao todo, já foram rolados cerca de US$ 800 milhões.

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