Crise política faz Bolsa cair mais de 2% e dólar voltar a R$ 3,82 

O mercado foi contaminado por temores de paralisação das contas públicas na próxima semana e pelos desdobramentos da Lava Jato

Claudia Violante, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 15h14

Atualizado às 18h53

SÃO PAULO - O mercado teve um dia nervoso nesta sexta-feira, 27, em que a aversão ao risco jogou o dólar para cima e fez o Ibovespa perder o nível de 46 mil pontos. O noticiário político foi intenso e fez o dólar voltar a fechar na casa de R$ 3,80, depois de sete pregões oscilando em torno de R$ 3,70, e fez a Bolsa registrar sua pior semana desde a encerrada em 25 de setembro.

O dólar terminou na máxima, em alta de 2,28%, a R$ 3,8289, depois de marcar, na mínima do dia, R$ 3,7194. O Ibovespa caiu 2,70%, aos 45.872,91 pontos, menor nível desde o dia 30 de outubro (45.868,82 pontos). Na mínima, marcou 45.812 pontos (-2,83%).

O mercado reagiu mal à notícia de que o presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, fará acordo de delação premiada, no qual vai apontar os nomes de pelo menos dois senadores que teriam recebido propinas no esquema da Petrobrás. A empreiteira ainda fará acordo de leniência e pagará R$ 1 bilhão a título de indenização. 

Além disso, a missão da agência de classificação de risco S&P vem ao Brasil na semana que vem e encontrará pouco avanço nas medidas do ajuste fiscal. O governo está correndo contra o tempo para promover novos cortes nas contas, já que o Congresso ainda não aprovou a mudança da meta fiscal. Se a alteração não for aprovada, o governo pode ser questionado pelo TCU, o que abriria brecha para um impeachment. 

Para evitar que isso aconteça, o governo anunciou que publicará um decreto na segunda-feira de contingenciamento de pouco mais de R$ 10 bilhões, o que irá paralisar a máquina federal. Sem recursos, a presidente Dilma Rousseff precisou cancelar sua viagem ao Japão e ao Vietnã na semana que vem.

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