Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Bolsa cai pelo 2º dia e dólar encosta em R$ 3,15 com temores sobre Previdência

Ferramenta elaborada pelo 'Estado', Placar da Previdência mostra que governo terá dificuldade em aprovar texto na Câmara

O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2017 | 17h46

A Bolsa encerrou em queda pelo segundo pregão consecutivo e o dólar fechou em alta de quase 1%, a R$ 3,1454, com temores de investidores a respeito do avanço da reforma da Previdência no Congresso. Nesta quarta-feira, 5, o Placar da Previdência, ferramenta elaborada pelo "Estado", mostrou grande resistência de parlamentares à aprovação do texto apresentado pelo presidente Michel Temer no fim do ano passado.

Ao fim dos negócios, o Índice Bovespa fechou em queda de 0,85%, aos 64.222,72 pontos, e o dólar avançou 0,98%, atingindo a cotação máxima de R$ 3,1484 durante a sessão.

Nesta manhã, o presidente Michel Temer declarou que havia autorizado mudanças na reforma, desde que não promovesse mudanças na idade mínima. Em seguida, diante da constatação de que não teria condições de aprovar a reforma da Previdência como está, o governo admitiu alterar a proposta em pelo menos cinco pontos mais sensíveis: as regras de transição, as normas para aposentadoria rural, o acúmulo de pensões, aposentadorias especiais para professores e policiais e os Benefícios de Prestação Continuada.

O humor dos mercados piorou de vez após o ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, declarar a alguns veículos de comunicação que a flexibilização da reforma vai reduzir em pelo menos 10 por cento a economia que o governo projetava nos próximos dez anos nos gastos com INSS, o correspondente a R$ 67,8 bilhões.

Veja o Placar da Previdência do 'Estado'

O cenário externo também ficou no radar do mercado nesta sessão, sobretudo como a política monetária dos Estados Unidos será conduzida. Na véspera, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, indicou que pode adotar medidas para começar a reduzir seu portfólio de US$ 4,5 trilhões ainda este ano desde que a economia tenha o desempenho esperado.

"Ao reduzir esse estoque de títulos, o Fed enxuga a liquidez do sistema, o que tem efeito de alta de juros", explicou o operador da corretora H.Commcor, Cleber Alessie Machado.

Por isso, a divulgação dos dados do mercado de trabalho norte-americano no dia seguinte ganhou ainda mais importância porque pode reforçar a percepção de que o Fed pode precisar de mais altas de juros além das duas ainda precificadas para o restante do ano.

Mais juros na maior economia do mundo pode atrair recursos até então aplicados em outras praças, como a brasileira.

O Banco Central brasileiro não anunciou intervenção no mercado de câmbio para esta sessão. Em maio, vencem US$ 6,389 bilhões em swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares./COM REUTERS

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