Jung Yeon-je/AFP
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Bolsa de Nova York bate recorde e Europa sobe, mas variante Delta fica no radar

Apesar do resultado positivo, índice de sentimento do consumidor americano caiu 11 pontos em agosto; avanço da cepa da covid na Coreia do Sul causou preocupação no mercado asiático

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2021 | 17h30

As Bolsas de Nova York e Europa fecharam em alta nesta sexta-feira, 13, com a primeira voltando a registrar recorde, mas o mercado da Ásia terminou o dia sem sentido único. Nos Estados Unidos, o aumento da desconfiança do consumidor preocupou, enquanto na Coreia do Sul, o avanço da variante Delta da covid-19 voltou a gerar preocupação.

Após um recuo na inflação de julho e a queda dos pedidos de auxílio-desemprego, o cenário econômico dos EUA decepcionou hoje. Aguardado pelo mercado, o índice de sentimento do consumidor americano caiu 11 pontos em agosto ante julho, a 70,2. O resultado contrariou a previsão de alta a 81,3 feita por analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal.

O resultado foi majoritariamente provocado pelo recente aumento nos casos de covid no país, enquanto que preocupações com finanças pessoais e o fim de benefícios extras a desempregados também contribuíram para o recuo, segundo avalia o banco holandês ING, em relatório a clientes.

Sobre a pandemia, o continente asiático, em especial a Coreia do Sul, continua atenta ao avanço da Delta. Recentemente, o país bateu recorde de novos casos, com mais de dois mil novos pacientes. Na China, a cepa também é vigiada, com o governo mantendo sua política de restrições rígidas. Os chineses chegaram a fechar parcialmente o terceiro maior porto do mundo, após registrar um único caso de covid entre os seus quase dois mil funcionários.

"As próximas semanas podem ser sobre a variante Delta e como a China, em particular, e outros lidam com a propagação. A China mostrou que sua abordagem de zero covid funcionou antes e não está mudando de curso, apesar de outros países adotarem uma abordagem mais relaxada graças às vacinas", diz Craig Erlam, analista de mercado sênior da OANDA na Europa

Sobre o continente europeu, ele diz que "um forte programa de vacinas que permitiu restrições mais flexíveis, ao mesmo tempo que reduz a ameaça de serem estritamente reimpostas no final do ano, estão impulsionando os ganhos. As perspectivas são muito animadoras para a Europa."

"Se os investidores estão preocupados com os casos crescentes da variante Delta mundialmente, há pouca evidência de que haja qualquer preocupação indevida, ainda que os mercados na Ásia tenham sido um pouco mais cautelosos", diz o analista da da CMC Markets, Michael Hewson.  

Bolsa de Nova York

O dado fraco do sentimento do consumidor americano chegou a afetar pontualmente o desempenho do mercado de Nova York, ao mostrar que, apesar dos avanços dos últimos índices, o cenário ainda inspira cautela. No entanto, ele virou para o postivo e fechou em alta moderada no final do dia, com novo recorde para Dow Jones e S&P 500, que tiveram ganhos de 0,05% e 0,16%. O Nasdaq subiu 0,04%.

Bolsas da Europa

O cenário favorável para a região fez o mercado europeu fechar em alta. O destaque foi a Bolsa de Frankfurt, com ganho de 0,25$. A ação da Adidas subiu 1,91%, após a empresa concordar em vender a Reebok para o Authentic Brands Group, num negócio de 2,1 bilhões de euros.

Ainda por lá, o índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,21%, enquanto a Bolsa de Paris teve alta de 0,20% e Londres, de 0,35%, que registrou seu quarto aumento semanal consecutivo, na melhor série de ganhos desde novembro. Os índices de Milão, Madri e Lisboa subiram 0,36%, 0,23% e 0,17% cada.

Bolsas da Ásia

Destaque negativo do mercado asiático, a Bolsa de Seul fechou em queda pelo sétimo dia seguido, em baixa de 1,16%, na maior queda semanal do índice em seis meses. O dia foi ruim também em Tóquio, que cedeu 0,14% e em Hong Kong, com baixa de 0,48%. Os índices chineses de XangaiShenzhen cederam 0,24% e 0,39% cada, enquanto Taiwan teve forte queda de 1,38%

Contrariando o clima negativo, a Bolsa australiana teve alta de 0,54%, em seu quarto recorde consecutivo de fechamento. A maioria dos setores exibiu ganhos hoje, puxados por saúde, consumo, concessionárias e tecnologia.

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta sexta. Na semana, o barril do WTI acumulou leve alta, enquanto o Brent recuou. Além de haver cautela com o avanço da variante Delta, o movimento visto hoje é uma extensão das perdas registradas ontem após as previsões pouco animadoras para a retomada da demanda pelo óleo feitas pela Agência Internacional de Energia (AIE) e Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

O barril do petróleo WTI com entrega prevista para setembro teve recuo 0,94%, a US$ 68,44. Na semana, porém, registrou avanço de 0,23%. Já o Brent fechou em queda de 1%, a US$ 70,59 o barril, acumulando um recuo semanal de 0,16%. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL E GABRIEL BUENO DA COSTA

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