Bolsa de Nova York fecha em queda por temor do Fed

O mercado norte-americano de ações fechou em queda, depois de o indicador revisado de custo da mão-de-obra no segundo trimestre trazer de volta o temor de que o Fed retome o ciclo de apertos monetários. "O custo da mão-de-obra veio muito mais alto do que se esperava, elevando o potencial para uma inflação mais alta e margens de lucro menores, porque os empregadores terão que pagar mais por seus funcionários. Isso faz crescer a possibilidade de o Fed ter que elevar as taxas de juro em 20 de setembro", comentou Chris Wolfe, diretor de pesquisa e estratégia da Dover Management. O índice Dow Jones teve sua maior queda em quatro semanas e 26 de suas 30 componentes caíram; o Nasdaq teve sua maior baixa em seis semanas e voltou a acumular queda em 2006 (-1,70%). O S&P-500 teve sua maior queda em dois meses. As ações da Intel caíram 3,40%, depois de a empresa anunciar 10.500 demissões; as da rival Advanced Micro Devices (AMD) recuaram 6,5%. No setor automotivo, as ações da General Motors subiram 2,40%, depois de a empresa anunciar que vai prorrogar as garantias de todos os seus veículos, como "prova" de que ela superou o déficit de qualidade em relação às concorrentes japonesas. As da Ford avançaram 1,91%, depois de a empresa surpreender os mercados anunciando Alan Mullaly, ex-chefe da área de aviação comercial da Boeing, como seu novo chairman e presidente. Apesar da nova queda dos preços do petróleo, todas as 20 componentes do índice Dow Jones de transportes caíram. Das 15 componentes do índice Dow Jones de utilidades, 14 fecharam em queda. No setor de tecnologia, as ações das fabricantes de discos rígidos para computadores sofreram quedas fortes, depois de a Komag rebaixar sua previsão de receita e lucro para o terceiro trimestre (Komag -14%, Western Digital -7,5%, Seagate -8,1%). Os ADRs da japonesa Sony caíram 2,4%, depois de a empresa adiar o lançamento do console de jogos PlayStation 3 na Europa por quatro meses, por causa de problemas na linha de produção. O índice Dow Jones fechou em queda de 63,08 pontos (0,55%), em 11.406,20 pontos. A mínima foi em 11.395,39 pontos e a máxima em 11.466,23 pontos. O Nasdaq fechou em queda de 37,86 pontos (1,72%), em 2.167,84 pontos, com mínima em 2.167,63 pontos e máxima em 2.190,26 pontos. O Standard & Poor's-500 caiu 12,99 pontos (0,99%), para 1.300,26 pontos. O NYSE Composite recuou 107,74 pontos (1,27%), para 8.345,22 pontos. O volume negociado na NYSE alcançou 1,450 bilhão de ações, de 1,349 bilhão ontem; 664 ações subiram, 2.651 caíram e 144 fecharam nos mesmos níveis de ontem. No Nasdaq, o volume alcançou 1,842 bilhão de ações negociadas, de 1,799 bilhão ontem, com 741 ações fechando em alta e 2.282 em queda. Os preços dos títulos do Tesouro dos EUA chegaram ao fim do dia em leve baixa, com correspondente alta nos juros. O mercado recebeu visões contrastantes sobre as condições da economia, na forma de indicadores fortes e de um "Livro Bege" do Fed que trouxe novos informes de desaceleração no crescimento econômico. Segundo Richard Gilhooly, estrategista do BNP Paribas, o mercado reagiu principalmente ao índice de atividade no setor de serviços dos gerentes de compras (ISM) e aos dados revisados do custo da mão-de-obra no segundo trimestre. O índice do ISM subiu para 57,0 em agosto, de 54,8 em julho, enquanto economistas previam 55,0. A produtividade da mão-de-obra cresceu 1,6%, como se previa, mas o custo cresceu 4,9%, enquanto economistas previam uma elevação de 4,1%; além disso, o crescimento do custo da mão-de-obra no primeiro trimestre foi revisado de 2,5% para 9%. "O mercado já abriu com os preços em baixa, e o indicador de custo da mão-de-obra foi um pouco perturbador. É algo a que o Fed ficará atento", comentou Rick Klingman, chefe da mesa de Treasuries do ABN Amro. Em entrevista publicada hoje pelo jornal USA Today, o presidente do Federal Reserve Bank de Richmond, Jeffrey Lacker, disse que sua visão sobre a política monetária não mudou desde o mês passado (quando ele foi o único integrante do Comitê de Mercado Aberto a votar por uma elevação de 25 pontos-base na taxa dos Fed Funds). Ele afirmou não saber se as pessoas estão convencidas de que o Fed está disposto a lutar para impedir que o núcleo da inflação suba de 1,5% anuais para 3%. "Acho que devemos agir para impedir que essa noção fique acomodada nas mentes das pessoas", disse Lacker. O "Livro Bege" do Fed, divulgado à tarde, disse que cinco dos 12 distritos da instituição relataram desaceleração no crescimento econômico, com debilidade no setor de imóveis residenciais e arrefecimento nos gastos dos consumidores. Para o estrategista David Ader, da RBS Greenwich Capital, o relatório do Fed "não foi excepcional em termos de informações novas e não deve mudar as expectativas" quanto a uma nova pausa no ciclo de apertos monetários em setembro. Gilhooly, porém, disse que os dados do custo da mão-de-obra deverão levar os investidores a questionar novamente a credibilidade do Fed. "Tivemos aquela enorme alta nos preços dos Treasuries na semana passada, quando foi declarada vitória no combate à inflação. Mas os dados do custo da mão-de-obra pularam fora dos gráficos", afirmou Gilhooly. No fechamento em Nova York, o juro projetado pelos T-bonds de 30 anos estava em 4,948%, de 4,938% ontem; o juro das T-notes de 10 anos estava em 4,797%, de 4,780% ontem; o juro das T-notes de 2 anos estava em 4,811%, de 4,803% ontem. As informações são da Dow Jones.

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