Andrew Kelly/Reuters - 11/7/2021
Andrew Kelly/Reuters - 11/7/2021

Bolsa de Nova York fecha em recorde após inflação dos EUA perder força em julho

Índice de preços ao consumidor americano subiu 0,5% em julho - no mês de junho, alta foi de 0,9%; resultado deve diminuir a pressão para o Federal Reserve cortar os estímulos

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 17h30

As Bolsas de Nova York e Europa fecharam em alta nesta quarta-feira, 11, com a primeira batendo recorde, após a inflação de julho dos Estados Unidos recuar na comparação com junho, resultado que vem de encontro com as últimas decisões do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Segundo dados do Departamento do Trabalho americano, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA registrou crescimento de 0,5% em julho, na comparação com o mês anterior e após ajustes sazonais. O resultado coincidiu com a mediana das expectativas dos analistas consultados pelo Projeções Broadcast. No mês anterior, a alta havia sido de 0,9%. 

Na comparação anual, o índice cheio do CPI subiu 5,4% em julho, ante expectativa de avanço de 5,3%. O Departamento do Trabalho aponta que moradia, alimentos, energia e veículos novos tiveram aumentos em julho, contribuindo para o ganho mensal. O índice apenas para o setor de energia teve avanço de 1,6% em julho ante o mês anterior, segundo o relatório.

A presidente do Fed de Kansas, Esther George, afirmou hoje que a inflação ainda alta nos EUA se deve a desequilíbrios entre oferta e demanda, devido a fatores, em sua maior parte, temporários. Embora tenha dito que as condições econômicas já justifiquem a redução da compra de ativos pelo Fed, a política monetária deve seguir estimulativa.

Já o presidente do Fed de Dallas, Robert Kaplan, defendeu que a instituição anuncie a retirada de estímulos na reunião do comitê de política monetária do Fed em setembro. O resultado, porém deve aliviar a pressão feita no Fed, com o mercado cobrando um aperto nos estímulos por conta da trajetória de alta da inflação.

"Embora eu não ache que uma pequena queda seja uma virada de jogo, no que diz respeito à política monetária, poderia ter sido se tivéssemos continuado a ver uma aceleração ou evidência de pressões de preços mais preocupantes", avalia Craig Erlam, analista da Oanda.​

A Capital Economics avalia que a inflação nos EUA pode já ter atingido seu pico. Segundo a consultoria, o aumento transitório de preços relacionado à reabertura da economia começou a desaparecer. Porém, ela aponta que a desaceleração da alta dos preços não vai acontecer na velocidade esperada pelo Fed.

O resultado da inflação da Alemanha também foi monitorado pelo mercado, cujo CPI subiu 0,9% em julho ante junho, confirmando a expectativa do mercado. Em relatório, a Pantheon afirma que o "salto" nos preços é fruto dos efeitos  da base de comparação. Além disso, a consultoria nota uma inflação modesta no setor de serviços, em quadro de reabertura ainda parcial da economia após o auge do choque na atividade causado pela pandemia.

Bolsa de Nova York

De olho na inflação de julho, Dow Jones e S&P 500 subiram 0,62% e 0,25% cada, o suficiente para que ambos fechassem com novos recordes de fechamento. Ainda afetado pela realização de lucros das ações de tecnologia, o Nasdaq caiu 0,16%.

Bolsas da Europa

Os indicadores também ajudaram no apetite por riscos do mercado europeu. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, avançou 0,42%, enquanto a Bolsa de Londres registrou ganho de 0,83%, terminando na marca dos 7,2 mil pontos, patamar registrado pela última vez no período anterior ao início da crise do coronavírus.

A Bolsa de Paris teve alta de 0,55%, enquanto Frankfurt registrou ganho de 0,35%, apesar da alta da inflação alemã. Já as Bolsas de Milão, Madri e Lisboa subiram 0,98%, 0,87% e 0,58% cada.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático ficou sem sinal único hoje. A Bolsa de Tóquio registrou ganho de 0,65%, apoiada nas ações setor financeiro e de siderúrgicas, com exportadoras apoiadas pelo iene mais fraco, em meio a relatos também de potenciais novos estímulos fiscais no futuro no Japão, afirma a Oanda. Já os índices chineses de Xangai e Shenzhen subiram 0,08% e 0,13% cada, enquanto Hong Kong teve ganho de 0,20%.

Realizando lucros, a Bolsa de Seul caiu 0,70%, enquanto Taiwan teve baixa de 0,56%. Na Oceania, a Bolsa australiana registrou alta de 0,29%, com novo recorde histórico de fechamento. Ações do setor financeiro e ligadas a commodities se destacaram hoje, com Commonwealth em alta de 1,5% e Rio Tinto, de 1,3%. 

Petróleo

Os contratos futuros do petróleo fecharam em alta nesta quarta, após um pregão bastante volátil. Os contratos da commodity caíram pela manhã, quando o governo de Joe Biden pressionou a Organização dos Países Exportadores de  Petróleo e aliados (Opep+) para que restaure sua oferta da commodity. Depois, chegaram a reduzir perdas com o enfraquecimento do dólar, mas voltaram a aprofundar a queda com um recuo menor do que o esperado nos estoques dos EUA.

Segundo o Departamento de Energia, foi registrada uma queda de 448 mil barris na última semana, abaixo da expectativa de queda de 600 mil, feita por analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal. Mesmo com o resultado negativo, ao fim da sessão, o petróleo registrou avanço, apoiado pela desvalorização da moeda americana. O WTI com entrega prevista para setembro avançou 1,40%, a US$ 69,25, enquanto o Brent para o mês seguinte teve alta de 1,15%, a US$ 71,44, o barril. /MAIARA SANTIAGO, ANDRÉ MARINHO, MATHEUS ANDRADE, ILANA CARDIAL, GABRIEL CALDEIRA E GABRIEL BUENO DA COSTA

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