Andrew Kelly/Reuters - 2/9/2021
Andrew Kelly/Reuters - 2/9/2021

Bolsa de Nova York sobe com investidor à espera de dado do mercado de trabalho dos EUA

Relatório sobre a geração de novas vagas nos EUA em agosto, que será divulgado amanhã, vai ajudar o Federal Reserve a decidir se começa ou não a discutir a redução dos estímulos

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 18h02

Com exceção de Nova York, que teve alta generalizada, os principais mercados do exterior registraram perdas pontuais nesta quinta-feira, 2, com os investidores à espera do payroll de agosto, relatório sobre a geração de novos empregos nos Estados Unidos, e que será divulgado amanhã. Ainda hoje, outros dados sobre o mercado de trabalho do país também foram monitorados.

A geração de novos postos é amplamente esperada pelo mercado, pois servirá como uma espécie de termômetro do mercado, para definir se o aperto nos estímulos, em especial do programa de compra de títulos públicos - o chamado 'tapering' -, deverá ficar mais perto ou mais longe do radar do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Nas últimas semanas, dirigentes do Fed vem sinalizando que poderá debater a redução gradual de seu programa de compras de ativos já na reunião deste mês. Já o presidente da entidade, Jerome Powell, evita cravar uma data específica, mas condicionou o início do tapering já neste ano a alguns dados importantes, como a recuperação do mercado de trabalho, por exemplo.

Responsável por uma das menores estimativas para o payroll de amanhã, o TD Securities prevê geração de 400 mil vagas nos EUA. Segundo o banco de investimentos canadense, isso não seria suficiente para que o Fed recue no seu plano de começar a retirar gradualmente os estímulos monetários em breve, mas provavelmente adiará um anúncio formal da redução dos estímulos para a reunião de novembro do banco central.

Apesar da grande expectativa em torno do payroll, hoje, o mercado analisou o número de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA. As solicitações caíram 14 mil na semana encerrada em 28 de agosto, a 340 mil, segundo o Departamento do Trabalho. O resultado ficou abaixo do esperado por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam 345 mil solicitações.

Ontem, a geração de vagas do setor privado americano em agosto também decepcionou, com 374 mil novos postos. O mercado esperava 600 mil. A Pantheon Macroeconomics, no entanto, avalia que o dado não diz nada sobre o ritmo das contratações no país, que é onde as pressões pela disseminação da variante Delta do coronavírus estão sendo sentidas, de acordo com a consultoria. "As empresas sempre preferem diminuir o ritmo das novas admissões antes de tomar a medida mais drástica de demitir seus funcionários", diz a casa.  

Na agenda de indicadores, a Eurostat, agência oficial de estatísticas da União Europeia, informou que o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) da zona do euro saltou 12,1% em julho, na comparação anual. O resultado ficou um ponto porcentual acima do esperado por analistas. 

Bolsa de Nova York

A espera por um payroll positivo apoiou o desempenho do mercado de Nova York, com o índice Dow Jones subindo 0,37%. Já S&P 500 e Nasdaq tiveram altas de 0,28% e 0,14% cada, com ambos batendo novos recordes de fechamento. Entre os destaques, Facebook teve queda de 1,77%, após a Irlanda aplicar uma multa de 225 milhões de euros ao WhatsApp por não informar aos usuários do aplicativo de mensagens quais de seus dados são compartilhados com a sua companhia controladora. 

Bolsas da Europa

O mercado europeu fechou praticamente em alta generalizada, de olho no mercado de trabalho americano. O índice Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, subiu 0,31%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 0,20%, a de Frankfurt, 0,10% e a de Paris, 0,06%. Os índices de Madri e Lisboa subiram 0,20% e 0,60%. Na contramão, Milão caiu 0,11%.

Bolsas da Ásia

O mercado asiático também registrou perdas. A Bolsa de Tóquio subiu 0,33%, enquanto Hong Kong avançou 0,24%. Os índices chineses de XangaiShenzhen subiram 0,84% e 0,41% cada. Na contramão, a Bolsa de Seul caiu 0,97% e Taiwan, 0,88%.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no vermelho, em queda de 0,55%, à medida que ações de grandes empresas locais foram negociadas ex-dividendos.

Petróleo

Os contratos de petróleo fecharam com ganhos nesta quinta-feira. O recuo do dólar colaborou para o movimento, com investidores ainda avaliando o anúncio de ontem da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+), sobre aumentar a produção diária em 400 mil barris por dia (bpd).

O petróleo WTI para outubro fechou em alta de 2,04%, a US$ 69,99 o barril, enquanto o Brent para novembro avançou 2,01%, a US$ 73,03 o barril. Os ganhos dos contratos ajudaram ações de petroleiras na Bolsa de Nova York: Chevron subiu 2,13%, ExxonMobil, 2,49% e ConocoPhilips, 3,60%. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, GABRIEL BUENO DA COSTA E SÉRGIO CALDAS

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