Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP
Colin Ziemer/New York Stock Exchange via AP

Bolsa de Nova York sobe, mas índices de Ásia e Europa ficam instáveis à espera de evento do Fed

Marcado para esta sexta-feira, simpósio organizado pelo banco central dos EUA deverá trazer mais pistas sobre o início do aperto do programa de compra de títulos públicos

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 17h30

Com exceção da Bolsa de Nova York, que registrou alta generalizada, os mercados de Europa e Ásia ficaram instáveis nesta quarta-feira, 25, com investidores cada vez mais à espera do Simpósio de Jackson Hole, evento organizado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de Kansas, e que está marcado para acontecer nesta sexta-feira, 27.

A grande expectativa pelo evento vem após o banco central americano sugerir na semana passada que poderá começar a diminuir suas compras de ativos, o chamado 'tapering', antes do fim do ano. O presidente do Fed, Jerome Powell, também fará um discurso, com parte do mercado apostando que ele deverá adotar um tom mais "duro" e já sinalizar as condições para começar o tapering antes do final do ano.

"Com o governo Biden chegando muito perto de entregar mais US$ 4 trilhões em estímulos, o Fed pode começar a normalizar a política monetária com segurança, diz Edward Moya, analista de mercado financeiro da OANDA em Nova York. Segundo ele, Powell provavelmente enfatizará "que a recuperação econômica já passou da crise". Apesar disso, porém, o Mizuho Bank acredita que o evento não deverá trazer sinais agressivos de redução de estímulos monetários, mantendo apenas o foco no tapering.

Nesse cenário, outras economias já se preparam para possíveis apertos vindos do Fed. O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE)Philip Lane, disse à Reuters que a entidade está disposta a agir caso a política monetária do BC americano afete as condições financeiras na zona do euro.

Na agenda de indicadores, a economia alemã voltou a decepcionar. Hoje, o índice de sentimento das empresas da Alemanha caiu de 100,7 pontos em julho para 99,4 pontos em agosto, registrando sua segunda queda consecutiva. O resultado deste mês ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda menor do indicador, a 100,3 pontos. 

Para o ING, o recuo no indicador sinaliza que a recuperação econômica da Alemanha está perdendo forças neste segundo semestre. O Commerzbank concorda e pontua que o resultado reflete os temores do setor privado em relação à quarta onda da covid-19 no país, motivada pelo avanço da variante Delta da covid, e o contínuo impacto de gargalos na cadeia de suprimentos.  

Bolsa de Nova York

O dia foi de alta generalizada no mercado de Nova York, com S&P 500 e Nasdaq subindo 0,22% e 0,15% cada, c9om ambos batendo novos recordes de fechamento. Já o Dow Jones teve ganho de 0,11%. Além do financeiro, os setores de serviços de comunicação, energia e indústria estiveram com sinal positivo. Já saúde e tecnologia exibiram baixas. Hoje, Biden, se reuniu com executivos de grandes empresas do setor de tecnologia, com a intenção de discutir o papel delas para ajudar a evitar ataques cibernéticos

Bolsas da Europa

O dado negativo somado com a preocupação com o Fed deixou os índices europeus instáveis, com o Stoxx 600, que concentra as principais empresas da região, com ganho marginal de 0,01%, enquanto a Bolsa de Frankfurt recuou 0,28% e a de Lisboa cedeu 0,21%. No lado positivo, a Bolsa de Londres subiu 0,34% e Paris, 0,18%. Já os índices de Milão e Madri avançaram 0,12% e 0,32%.

Bolsas da Ásia

De olho no Fed, a Bolsa de Tóquio teve baixa marginal de 0,03%, enquanto a de Hong Kong caiu 0,13%. No lado positivo, os índices chineses de XangaiShenzhen subiram 0,74% e 0,46%, o mercado de Seul avançou 0,27% e o de Taiwan, 1,35%.

Na Oceania, a bolsa australiana ficou no azul pelo terceiro dia seguido, com alta de 0,39%, apesar de preocupações com o aumento de casos de covid-19 no país.

Petróleo

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta hoje, no terceiro avanço consecutivo. Sinais da demanda, incluindo o aumento da procura na Índia por combustíveis e a queda de 2,98 milhões de barris no estoque dos EUA na semana última semana, recuo maior que os 2,4 milhões previstos pelo The Wall Street Journal, foram vistos como sinais de que as preocupações geradas pela variante Delta foram dissipadas em alguma medida. 

O Commerzbank aponta que as "mais sérias preocupações referentes à demanda" se dissiparam nos últimos dias, depois de terem derrubado as cotações na semana passada. Hoje, o WTI para outubro fechou com ganho de 1,21%, a US$ 68,36 o barril, enquanto o Brent para o mesmo mês subiu 1,69%, a US$ 72,25 o barril. /MAIARA SANTIAGO, ILANA CARDIAL, MATHEUS ANDRADE E SÉRGIO CALDAS

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